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Pedidos de ajuda na DECO em 2010
Sobreendividamento: o drama continua

Segundo os últimos dados, dos 17 372 pedidos de ajuda e aconselhamento, só 2837 famílias viram aberto um processo acompanhado pela DECO. Apenas mais 25 casos do que em 2009.
Outras 2825 pessoas foram atendidas em consultas pessoais, 3227 receberam informações escritas e 8483 aconselhamento telefónico.
“Quando a família é confrontada, por exemplo, com uma situação de desemprego, em vez de pedir logo ajuda ou contactar o banco, recorre aos cartões de crédito e pede mais crédito para manter o mesmo estilo de vida”, explica Natália Nunes, coordenadora do Gabinete de Apoio da DECO.
Na maior parte dos casos “o incumprimento já está na central de responsabilidades de crédito do Banco de Portugal”.
As famílias apoiadas nos processos de renegociação de dívidas têm, “em média, cinco créditos: um crédito à habitação, um crédito automóvel e os restantes são créditos pessoais”.
Dos processos de apoio abertos pela DECO, 32,7% dizem respeito a famílias com rendimentos entre os 500 e 1000 euros e 29,5% entre os 1500 e 2000 mil euros mensais.
Contudo, “cada vez mais, são as famílias com rendimentos superiores a 2500 euros que entram em contacto a pedir ajuda”, admite Natália Nunes, pois “organizaram o seu orçamento de acordo com os seus rendimentos elevados, compraram a casa mais cara e perante a adversidade têm mais dificuldade” em gerir e honrar os compromissos a tempo e horas.
“Estamos, na maior parte das vezes, a falar de técnicos superiores, de médicos, de professores, de advogados. Cada vez mais, são profissões liberais que nos vêm pedir ajuda”.
“Há dias chegou-nos um caso de uma família com créditos pessoais superiores a cem mil euros”, concluiu.
O desemprego foi a principal causa das dificuldades económicas de 32,4% das famílias ajudadas pela DECO. Os problemas de saúde são a segunda causa. A deterioração das condições laborais (redução de rendimentos) originou 18,2% dos processos e o divórcio 10,5%.
Entre 2008 e 2010, os pedidos quase que duplicaram. A DECO perspectiva maiores dificuldades para 2011.







