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Em Portugal
Novos dados sobre o grande consumo

Uma das consequências das dificuldades é o facto de os portugueses estarem a ir menos vezes às compras, comprando em maiores quantidades, e reduzindo o número de vezes que vão aos pontos de venda.
“Percebemos que a actual conjunctura está a mudar significativamente os hábitos do consumidor nacional, relativamente ao que compram, a forma e a frequência com que fazem compras”, explica Paulo Caldeira, director de comunicação da Kantar Worldpanel em Portugal, citado no comunicado da empresa de estudos de consumo.
É um “sinal de maior planeamento e racionalização dos actos de compra”, com uma “maior limitação ao essencial”, acrescenta.
A diminuição da frequência de compra está a afectar todos os segmentos do comércio.
A quebra foi de 13,5% no sector têxtil, de 5% nos bens de grande consumo e de 16,7% nos combustíveis, durante os primeiros oito meses do ano face a igual período de 2009.
Outra das consequências da crise está a ser a redução das compras em estabelecimentos de comércio tradicional, que foi abandonado por 39% dos lares portugueses, sobretudo nas compras de produtos frescos.
Paralelamente, cresceu a procura pela distribuição moderna (grandes superfícies) nas compras dos portugueses, passando a representar 86% do valor gasto em bens de grande consumo.
“As tendências para 2011 serão o reforço do consumo alimentar dentro do lar, assim como a confecção de refeições para consumir fora de casa”, sublinha ainda a Kantar, prevendo-se um futuro difícil para o sector da restauração.
Aliás, já se assiste a um maior consumo de comida pronta, congelados e frescos e ao hábito de cozinhar em casa para levar para o trabalho (até há bem pouco tempo, uma prática marginal na sociedade portuguesa e associada a estigmas de pobreza).
O estudo, que é realizado junto de três mil famílias portuguesas, mostra ainda que os consumidores portugueses compraram produtos mais baratos, de marcas brancas ou com as insígnias dos grandes hipermercados. Aliás, esta é uma tendência que está a crescer na Europa.
Estas marcas brancas foram recentemente alvo de um relatório da Autoridade da Concorrência (AdC), datado de Outubro de 2010, que concluiu que apenas 2,2% destes produtos são produzidos em Portugal.
Este facto indigna os fabricantes de grandes marcas nacionais que acusam os retalhistas de colocar em causa a sustentabilidade da indústria agro-alimentar em Portugal.








