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Se calhar, é um pocadinho escorregadio, não?
Este, promete ser “ainda pior que a fuga de crude da BP no Golfo do México”. Kent Moors, um especialista petrolífero, sublinhou o problema, crescente desde o final de Julho passado.
“Temos visto três exemplos nas últimas semanas. Primeiro, a 16 de Julho, um oleoduto rompeu-se no porto chinês de Dalian. Consequentemente, relatórios divulgados a 26 de Julho estimam que mais de 150 000 barris de crude estivessem a derramar de um oleoduto subterrâneo entre os Estados Unidos da América (EUA) e o Canadá. Finalmente, no passado dia 27 de Julho, um rebocador chocou contra um poço de petróleo abandonado no rio Mississipi no sinistrado Golfo do México.”
De facto, enquanto o mundo foca a atenção no acidente da «Deepwater Horizon», outro derrame mais pequeno acontece a apenas algumas milhas de distância, na plataforma «Ocean Saratoga».
Mas as autoridades abafaram o caso, que só foi descoberto por acaso, pela equipa da «Skytruth» - uma organização sem fins lucrativos que monitoriza problemas ambientais através de satélites e outros sensores remotos.
“A questão é: que veríamos se fossemos olhar sistematicamente para esta indústria como um todo?”, questiona John Amos, presidente e fundador da «Skytruth». “Será isto uma aberração, ou é sempre assim que as coisas funcionam?”
A resposta é provavelmente, sim. Fugas nos oleodutos não são nada de novo. Ao longo do vasto pipeline russo, por exemplo, estimam-se em cerca de 5000 as fugas identificadas diariamente!
A isto, soma-se a insegurança de milhares de poços mal-vedados da era soviética que polvilham de negro a costa do Cazaquistão. E claro, o resultado é que o crude escorre para o mar Cáspio, onde destrói as quintas de esturjão de aquacultura, dizimando a indústria do caviar com prejuízos enormes – isto sem contar com a economia local da pesca.
Nem tudo são desgraças. Uma das vantagens da devastação causada pelo derrame da BP é que, por muito que tentem, a habilidade das companhias petrolíferas para camuflar as responsabilidades na manutenção das suas infra-estruturas está agora dramaticamente reduzida.
No rescaldo da pior tragédia ambiental da História na América, há novas leis e regras para forçar as petrolíferas a prestar uma considerável maior atenção às fugas e à integridade dos seus equipamentos e estruturas.
Numa indústria que fez, faz e fará tudo e mais qualquer coisa para defender os seus interesses, esta é a última área onde o factor “lucro” conta. Especialistas petrolíferos estimam que hoje sejam necessários gastar cerca de 500 biliões de dólares para tornar os sistemas existentes seguros. A urgência aumenta a um ritmo de “cerca de um bilião de dólares por semana”.
E isso, também escorrega?






