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E quem comprará todas estas casas?

O negócio da construção civil que até agora floresceu, alimentando construtores, bancos, autarquias (e todo o lado negativo de especulação, oportunismo e crimes urbanísticos por todo o país) pode vir a sofrer um abrandamento significativo, já a partir deste ano.
Bruno Filipe Pires, Edição 640 (19 Ago 2010), Sem Comentários »

Desta vez, não se pode apontar o dedo apenas à crise financeira, mas sim à baixa natalidade e ao envelhecimento da população portuguesa.

As previsões são do Banco Internacional de Pagamentos (BIC), que acaba de publicar o estudo «Ageing and asset prices» que procura medir os efeitos do envelhecimento populacional nos preços das habitações.

Segundo o documento, Portugal é o país europeu que mais impacto sentirá na procura de casas, por razões demográficas. Entre 2010 e 2050, estima-se que a procura sofra uma queda de 80%.

Espanha, Grécia e Alemanha são os outros países da Europa que mais sentirão uma diminuição da procura muito próxima de 75%, ao contrário da Suécia, que se mantém perto de um impacto negativo de 20%. A tendência deve-se ao facto de não estarem a acontecer nascimentos em massa que possam justificar procura imobiliária nos próximos anos.

No entanto, e como é normal em economia, não é provável que a diminuição da procura seja sinónimo de haver, em breve, casas ao preço da chuva.

Na sua dissertação, Elöd Takáts, do departamento monetário e económico do BIC, sublinha que “os resultados não implicam quedas absolutas nos preços das habitações. Sugerem que nos próximos 40 anos, os preços reais das casas nas economias ditas desenvolvidas enfrentarão condições muito mais difíceis” que em igual período no passado.

Dificilmente, hoje haverá condições semelhantes ao baby boom dos anos 1960, que de acordo com o autor do estudo, foi responsável pela escalada dos preços das casas em cerca de 40% nos Estados Unidos.

O documento refere ainda que o aumento do número de idosos, a curto prazo, constitui um desafio semelhante para os sistemas de pensões e de saúde (públicos e privados). A redução da população activa, também fará abrandar o crescimento das economias, e é um problema mais grave na Europa.

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