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Digital Portugal

Portugal é o oitavo país da União Europeia (UE) com mais ligações de Internet por banda larga e o décimo terceiro dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), segundo dados de Dezembro de 2009 (os últimos disponíveis). Mas paradoxalmente, isto não faz de nós um país digital.
Edição 635 (15 Jul 2010), Sem Comentários »

A conclusão é do Centro de Investigação e Estudos de Sociologia (CIES) que apresentou um estudo durante a 11ª conferência anual do World Internet Project (WIIP), recentemente em Lisboa.

O World Internet Project (WIP) é um projecto de colaboração internacional que olha para o impacto social, político e económico da Internet e de outras novas tecnologias.

Segundo o CIES, que faz parte do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE), não chega a 45% o número de portugueses que usam a Internet.

Ou seja, apesar de todos os incentivos à aquisição de computadores e de banda larga que foram dados nos últimos anos, 55,4% dos portugueses não usam a Internet - e destes, mais de metade não tem qualquer intenção de um dia vir a utilizar.

O principal motivo apresentado (44,4%) é falta de interesse e de utilidade da rede. O desconhecimento de como se usa afasta 26,3% dos portugueses, mas, curiosamente apenas 10,2% apresenta como razão não ter computador ou acesso. Isto significa que os esforços dos últimos governos deram frutos na generalização da tecnologia – ou seja, temos as ferramentas, mas não sabemos utilizá-las!

A idade desempenha, obviamente, um papel importante nestes dados. A maioria dos não utilizadores tem mais de 65 anos (25%), seguida da faixa etária entre 55 e 64 anos (12,8%) e dos 45 aos 54 anos (11,4%).

Isto contrasta com o que acontece noutros países, por exemplo nos Estados Unidos, onde as populações seniores são fortes utilizadoras da Internet – sobretudo os veteranos de guerra, de idade bastante avançada, que dão vida a concorridos fóruns de debate e discussão.

Por outro lado, os programas de incentivo do Governo incidiram sobretudo nas camadas mais jovens, que têm aproveitado essa disponibilidade tecnológica.

Um dos dados mais significativos deste estudo, que foi conduzido pela Metris GfK, refere-se aos hábitos dos portugueses nas redes sociais. O Hi5 continua no topo, com 75,6% das preferências, mostrando uma capacidade notável de resistência aos ataques do Facebook (que conquista 70,2%). O Twitter, com 13,9%, o MySpace com 11,7% e o Orkut com 10,2% completam o top cinco.

Os dados também incluem o LinkedIn, uma rede social virada para os contactos profissionais. Embora tenha apenas 1,6% de preferências, o LinkedIn representa a maior discrepância nos utilizadores: 80% são do sexo masculino.

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