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Necessidades em Portugal
Para onde vamos?

A investigação chama-se «Necessidades em Portugal - Tradição e Tendências Emergentes». Teve o apoio científico do ISCTE e da Fundação Calouste Gulbenkian. É o resultado de três anos de trabalho e envolveu 1237 inquiridos.
O objectivo foi conhecer “o que falta para se ser feliz, vivendo em Portugal? De que já não abdicamos e de que precisamos ainda quando falamos de qualidade de vida?”.
As primeiras conclusões agora conhecidas revelam que um quinto dos que responderam ao inquérito “vive abaixo do limiar da pobreza e revela dificuldades no pagamento de contas da casa, alimentação e escolas dos filhos”.
“Os resultados mostram que 57 por cento das famílias inquiridas vive com menos de €900 por mês e 42 por cento admite ainda não poder gozar todo o período de baixa médica, enquanto 12 por cento reconhece não ter dinheiro para comprar todos os medicamentos de que necessita”.
Apesar de gostarem do “trabalho”, os portugueses “estão descontentes com os seus níveis salariais. Os inquéritos mostram que 41,3 por cento dos portugueses com actividade profissional remunerada experimenta situações de precariedade laboral e mais de 50 por cento considera a sua remuneração injusta”;
No entanto, isto não é suficiente para reagir e boa parte dos portugueses acabou por se resignar perante a sua condição - 30% dos inquiridos dizem que gostariam de mudar de emprego, mas mais de um terço dos insatisfeitos confessa que não faz nada para mudar de vida.
Para 63% dos entrevistados, emigrar está fora de questão. A maioria já não pensa em voltar a estudar, apesar de dizer que gostaria de se expressar melhor por escrito, de aprender línguas e saber usar a Internet para acompanhar os filhos nos estudos.
Metade da população portuguesa sobrevive com dificuldade, mas não é por isso que se julgam desafortunados. Pelo contrário: 73% dizem que são felizes e a principal razão é a família e os amigos. O estudo mostra, em contrapartida, que cada vez há mais desconfiança - 45% dos portugueses suspeitam dos outros, mas os números disparam se o alvo for o Governo. 70% afirmam que os nossos governantes merecem pouca ou nenhuma confiança.
No que toca aos pobres, confirma-se que o universo dos mais vulneráveis coincide com o dos idosos, das famílias monoparentais e dos que têm menos estudos. Cerca de 20% dos portugueses está abaixo do limiar da pobreza e 35 em cada 100 está numa situação de privação alta ou média não conseguindo, por exemplo, aquecer a casa ou usufruir a totalidade de uma baixa médica para não perder os rendimentos.
Finalmente, os dados do inquérito registaram “que 42,3 por cento dos portugueses chegam a casa muito cansados do trabalho para fazer as tarefas necessárias; e 33,4 (um terço da população) admite que a concentração no trabalho é prejudicada pelas responsabilidades familiares”. As conclusões destacam o “esforço, sobretudo das mulheres, na conciliação entre trabalho e vida familiar”.
O estudo da TESE está publicado em dois volumes com o título «À Tona da Água I» e «À Tona da Água II»








