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Nação Vuvuzela?

Chegou e veio para ficar. Praticamente desconhecida em Portugal há ainda bem pouco tempo, a vuvuleza sul-africana é o mais recente fenómeno de popularidade no nosso país.
Bruno Filipe Pires, Edição 630 (10 Jun 2010), Sem Comentários »
Bruno Filipe Pires

Das escolas aos espaços públicos, já não há praticamente nenhum canto do território nacional onde não se oiça o sopro destes rudimentares instrumentos.

A ideia foi da «Galp Energia». Como forma de promover o apoio à Selecção Portuguesa de Futebol para o Mundial de 2010, a empresa de combustíveis lembrou-se de comercializar centenas de milhares de vuvuzelas nos seus postos de abastecimento nos meses que antecederam a competição. Entretanto, também subiram um pouco o preço da gasolina, mas isso pouco ou nada perturbou o êxito da campanha da corneta de plástico.

Ideias novas são sempre bem-vindas. Neste Mundial, não veremos apenas bandeiras portuguesas (algumas com as quinas impressas ao contrário pelos fabricantes na China) nas marquises de alumínio dos prédios. Até porque muitas, herdadas de competições anteriores, já estão num estado semelhante ao do país. Nos próximos dias, vamos sobretudo ouvir, de dia e de noite, adeptos a soprar a plenos pulmões, enviando vigorosas ondas sonoras de apoio até Joanesburgo (ou até Marrocos, que sempre está mais próximo).

Claro que atravessar a África subsariana talvez seja demasiado ambicioso. Mas quem tem vizinhos com vuvuzelas já se apercebeu das suas capacidades, numa escala muito mais realista. Há quem já tenha visto crianças que conseguem tirar o máximo rendimento da vuvuzela, conseguindo fazer mais barulho que o seu próprio tamanho e peso (comparativamente ao número de decibéis que produzem). E então?

A fundação Suíça «Hear the World» fez os cálculos e estima que em média, a vuvuzela de plástico é capaz de emitir uns humildes 127 decibéis – um pouco mais que um cortador de relva (90 decibéis) ou uma motoserra (100 decibéis). A exposição contínua a estes valores durante 15 minutos é suficiente para causar lesões irreversíveis no aparelho auditivo.

Apoiar a selecção sim, mas será que vale a pena estoirar os tímpanos?

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