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Mobilidade Social, uma questão familiar?

O filho de uma família pobre poderá um dia ser o dono de um império financeiro multi-milionário. Ou quem sabe, tornar-se no investigador responsável pela cura para o cancro.
A sociologia tem prestado alguma atenção a este fenómeno, em que um indivíduo de um determinado grupo de uma posição social evolui para outra. Chama-se a isto mobilidade social. O cinema tem baseado muitos e bons argumentos nesta premissa.
Isto vem a propósito do novo estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), que faz parte do relatório anual «Going for Growth» a ser lançado no dia 10 de Março de 2010. Tem por título «Intergenerational Social Mobility: a family affair?» e já está disponível na Internet.
Sucintamente, o estudo mostra que apesar do crescimento económico nas últimas três décadas ter aberto novas oportunidades para milhares de portugueses mudarem o seu status quo, a mobilidade social dos cidadãos em geral, continua mais baixa do que noutros países desenvolvidos.
Segundo o estudo, há um padrão que vem do passado e que continua a repetir-se de geração em geração. Isto porque a diferença entre os salários das pessoas com pais com estudos superiores e aquelas cujos pais frequentaram apenas a escolaridade mínima é mais alta em Portugal do que em qualquer outro país da OCDE.
Uma das conclusões do estudo é que o contexto económico da família tem um impacto importante nos resultados escolares. E esse efeito que é mais forte nos países com sociedades mais desiguais, como Portugal, não contribui para inverter a lotaria social.
Teoricamente, Portugal tem políticas (?) de acesso à escolaridade que colocam todos os indivíduos num patamar de igualdade no acesso à escolaridade, que, no futuro, será determinante para obter um bom emprego.
Contudo, e na prática, o que acontece é que o baixo estatuto herdado dos pais define um destino quase provável que empurra os indivíduos para se manterem em padrões de vida idênticos ou próximos da sua origem social.
Em última análise, o estudo da OCDE demonstra que Portugal continua a ser um país que favorece as elites.







