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“All” garve

O programa «Allgarve» está de novo aí. Mais uma vez, é difícil não levantar questão – valerá a pena insistir nesta fórmula, supostamente capaz de atrair mais turistas ávidos de animação?
Apesar desta ser a quarta edição do programa, e depois de muitos milhões gastos, a verdade é que ninguém sabe responder com exactidão.
Apenas agora, em 2010 é que Universidade do Algarve vai tentar descobrir a resposta.
A academia algarvia está convidada a estudar “com critério e rigor” o sucesso do «Allgarve», relacionando-o com o movimento de turistas na região, segundo adiantou aos jornalistas, o presidente do Turismo do Algarve, Nuno Aires – durante a cerimónia de apresentação, no passado Sábado, dia 20 de Fevereiro, no Centro de Congressos do Arade, em Lagoa.
Contudo, o mais recente comunicado do «Eurostat», datado de 22 de Fevereiro, acerca do turismo na Europa dos 27 pode dar desde já algumas pistas.
O total de dormidas em estabelecimentos hoteleiros caiu 5 por cento em 2009, relativamente a 2008. Em média, as noites passadas por cidadãos não residentes em cada país dos 27, caiu 9 por cento.
Isto confirma claramente que as coisas não estão bem nesta indústria.
Relativamente ao «Allgarve» 2010, talvez o forte a salientar é o facto da programação estar, pela primeira vez, a cargo de uma equipa algarvia.
Augusto Miranda e os seus colaboradores contam com um orçamento similar ao da edição de 2009. São 3 milhões de euros do Turismo de Portugal.
Contudo, Nuno Aires, presidente do Turismo do Algarve, tem a “expectativa de que a esse dinheiro se junte mais um milhão das câmaras e um milhão dos privados”, num investimento total de 5 milhões de euros no total.
A verba é para financiar eventos ao longo dos próximos 10 meses (o calendário duplica relativamente às edições anteriores).
Um milhão e meio são para pagar a comunicação nacional e internacional. Outro para a programação – desporto, exposições, música, gastronomia.
Contudo, as questões de fundo mantêm-se. O quê para quem?
Será que os turistas que vão à praia bronzear-se, visitam a colecção de arte contemporânea emprestada por Lisboa ou pelo Porto?
Então, e quem vive cá (as tais 400 000 pessoas), será que têm algum “papel” relevante no programa? Serão público?
Ou limitam-se a ver o desfile de “socialites” da capital que aterram como extraterrestres de outro planeta nas inaugurações? E será que os grandes artistas não fazem também tournées pelos países de origem dos turistas, relativizando o interesse destes espectáculos?
Em última análise, talvez estes «Allgarve» sirvam, pelo menos para motivar a apetência dos algarvios (visitantes incluídos) pela cultura.
E para consolidar os hábitos de consumo que algumas camadas da população já adquiriram. Essa será a melhor herança para que no futuro, os gestores culturais da região tenham meios (não necessariamente milhões) e autonomia para responder às reais necessidades do Algarve.








