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Novas oportunidades para o sector automóvel

Quer um carro low-cost?

As coisas não andam bem no mercado dos automóveis. As vendas têm vindo a diminuir e até o sector intocável dos carros de luxo tem vindo a sofrer os danos colaterais da crise. Outros eventos, como o aumento quase diário dos preços dos combustíveis (o petróleo chegou aos 147 dólares por barril em 2008) também não tem ajudado o sector.
Bruno Filipe Pires, Edição 614 (18 Fev 2010), Sem Comentários »

Assim, a procura do essencial (apenas daquilo que é necessário e útil) acentua-se nestes tempos conturbados, com os consumidores a ponderarem as suas escolhas para reduzirem despesas.

Quem o diz é o primeiro estudo de mercado do observador «Cetelem» de 2010, intitulado «Automóvel: o low-cost, uma oportunidade?».

O estudo tem por objectivo saber se a mentalidade «low-cost» (estratégia comercial que consiste em oferecer um bem ou um serviço simplificado por um preço inferior) pode ser uma oportunidade para o sector automóvel na Europa.

As conclusões são surpreendentes.

Ao contrário do que se vê nas estradas e ruas portuguesas, onde tradicionalmente o automóvel é exibido como símbolo de status social, as mentalidades já estão a mudar por aqui. E acompanham a tendência europeia.

É que 29 por cento dos europeus já encaram a hipótese de adquirir um carro «low-cost». Portugal, Reino Unido e Espanha estão entre os mais entusiastas.

Em Portugal, alguns destes modelos foram lançados em 2008. No nosso país, o sector automóvel regista uma quebra (-25 por cento, em 2009), mas ainda assim a Dacia -fabricante romena comprada em 1999 pela marca francesa Renault - vendeu 442 carros em 2008 e 584 em 2009, um aumento de 32 por cento.

Na Europa, esta marca evolui de 2080 unidades vendidas em 2004, para as 84 290 em 2008! Em média, de acordo com este estudo, um em cada dois europeus inquiridos diz estar disposto a escolher uma marca chinesa ou indiana para o seu automóvel.

Num território tão desordenado como o português, quem não tem quatro rodas à sua disposição, corre o risco de não ir a lado nenhum. Ainda assim, 87 por cento dos portugueses inquiridos neste estudo consideram que ter um carro “é mais um esforço”. Na média dos 27, apenas 21 por cento dos europeus adquirem um carro por puro prazer.

Resumindo, os dias do exibicionismo automóvel estão mesmo a chegar ao fim, com estes veículos a aproximarem-se das metas das vendas, pelo menos até à chegada de novas tecnologias.

Entretanto, a Mitsubishi já anunciou a entrega das primeiras 400 unidades do i-MiEV - o primeiro carro eléctrico do Mundo de produção em série que chega a Portugal no 2º semestre de 2010.

Recorde-se que, na Primavera passada foram realizados em Portugal mais de 200 testes dinâmicos a este modelo. Jornalistas, entidades, empresas e particulares, aplaudiram unanimemente o i-MiEV como sendo uma verdadeira alternativa ao tradicional veículo urbano…

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