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Inferno na mira da Almargem

O concelho de Tavira está na mira das críticas dos ambientalistas.
Bruno Filipe Pires, Edição 613 (11 Fev 2010), Sem Comentários »

Numa altura em que se comemora o 39º aniversário da Convenção de Ramsar, a Associação Almargem (Loulé) escolheu o famoso Pego do Inferno como “exemplo de uma das zonas húmidas do Algarve cujos problemas se têm vindo a arrastar ao longo dos anos sem solução à vista”.

Situado na freguesia de Santo Estêvão, a cerca de 7 quilómetros da cidade do rio Gilão, este local é visitado anualmente por milhares de pessoas, atraídas pela cascata e lagoa lá existentes. Contudo, no entender da Almargem, é também um caso “paradigmático de intervenção insustentável num ecossistema muito sensível”.

Ou seja, há cerca de 10 anos foram construídas escadas de acesso para facilitar o acesso das pessoas ao local. De manutenção cara e difícil, as estruturas apenas facilitam o aumento da pressão humana no local. Durante o Verão, é normal verem-se centenas de automóveis estacionados ao redor, sem qualquer respeito pela natureza.

O lixo resultante da falta de civismo e de equipamentos adequados acumula-se aos montes por toda a parte. Há quem faça piqueniques que são verdadeiros festins poluentes e é frequente praticar-se o campismo selvagem. O risco de incêndio é uma constante.

Mas o maior problema é o facto do Pego do Inferno se encontrar completamente encravado entre duas propriedades privadas de acesso restrito.

“Uma destas propriedades, na qual estão inseridos os Moinhos da Rocha, património histórico notabilíssimo à beira da ruína completa, está actualmente à venda, perspectivando-se o seu loteamento para moradias”.

Para piorar as coisas, a autarquia “prepara-se agora para gastar muitas dezenas de milhares de euros na pavimentação da estrada de acesso ao Pego do Inferno”, contribuindo assim para agravar os estado já degradado dos habitats naturais.

Neste contexto, a Associação Almargem propôs à Câmara Municipal de Tavira e à Administração da Região Hidrográfica do Algarve, que todo o troço final da Ribeira de Asseca, incluindo o Pego do Inferno, fosse alvo de um projecto de intervenção prioritária.

O objectivo é recuperar habitats, limpar a ribeira e as margens, proteger a fauna e a flora, e divulgar a geodiversidade e biodiversidade ali existentes.

Mas ambicioso é o usufruto público dos Moinhos da Rocha e sua transformação em centro de interpretação do território, e a implementação de um novo modelo, mais equilibrado, de utilização do Pego do Inferno como zona de lazer.

Em breve, a Almargem em parceria com outras entidades oficiais da região, dará a conhecer várias acções dirigidas ao público em geral (voluntariado), a acontecer a 22 de Maio, em que se comemora o Dia Internacional da Biodiversidade.

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