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Coisas simples impossíveis

Por exemplo, estacionar num lugar reservado a grávidas ou a pessoas com deficiência. Ou até mesmo em cima de uma passadeira. Só poderá moralizar quem nunca o fez.
O que não é normal é fazer destes comportamentos a rotina do quotidiano. Mas infelizmente, há quem o faça por hábito, sem quaisquer problemas de consciência.
Enquanto as autoridades estão ocupadas a multar os veículos comerciais de transportes de mercadorias, porque falta uma lata de tinta na guia de transporte, a lei do mais forte reina nos parques de estacionamento da maioria das superfícies comerciais que embelezam o Algarve/ Portugal contemporâneo.
Durante a romaria de fim-de-semana às catedrais do consumo, vale tudo. Recentemente, num destes paraísos da nova economia portuguesa, uma leitora grávida contou-nos que pediu a um senhor, tão ou mais barrigudo que ela, que fizesse o favor de retirar o carro do lugar que lhe está reservado por direito.
Teve sorte, porque na maioria das vezes, esses lugares estão pura e simplesmente ocupados.
O senhor acedeu contrariado, arrastando o carro num balbuciar mudo de palavrões e reclamações. Ainda antes que houvesse tempo para concluir a manobra, chegou um outro carro e estacionou ao lado.
A senhora que o conduzia e o seu filho adolescente, não tinham qualquer sinal de mobilidade reduzida, e estavam felizes porque tinham conseguido um lugar mesmo à porta. Que importa se o lugar é reservado a pessoas portadoras de deficiência?
Na verdade, nestes espaços reservados, há carros de pessoas ditas normais estacionados durante o dia inteiro, coisa que torna a vida difícil para quem tem handicaps físicos. Mas que importa? Esses condutores raramente são responsabilizados pelo abuso. Será porque é mau para o negócio?
Um velho chavão filosófico diz que o grau de cultura e civilização de uma sociedade, mede-se pela forma como trata os seus mais fracos.
Hoje, essa questão já não se coloca, porque na sociedade portuguesa, simplesmente há cada vez menos lugar para quem tem algum tipo de vulnerabilidade (física, mental, social, económica, etc). Aqui e agora, o grau de civilização parece medir-se pela capacidade que cada indivíduo desenvolve para passar por cima do seu semelhante.
O que é pena nesta equação é que quem pensa e age assim, nem percebe que também se pisa a si próprio…







