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Palavras de Pedra

Multas pesadas para o cidadão comum

Se acredita em tudo o que lê, então é claro que o futuro está perdido.
Natasha Donn, Edição 611 (28 Jan 2010), Sem Comentários »
Bruno Filipe Pires

A economia mundial vai de mal a pior - e assim se vai manter a longo prazo, segundo o mais recente relatório sobre os riscos globais «Global Risks 2010». O presidente Obama está de costas voltadas para a parede e a “esperança” para o mundo está em pausa.

Mas será que tem mesmo que ser assim?

Não haverá mesmo nada a fazer?

Palavras de conforto como o futuro é aqui e AGORA, parecem cada vez mais obsoletas? Se ao menos as pessoas acordassem, será que tudo não poderia ser diferente?

E “eis, onde surge o obstáculo”, como diria William Shakespeare em Hamlet - e neste país à beira mar plantado onde infelizmente não faltam cabeças ocas, e despertar é algo que parece improvável de acontecer.

No mês em que o deputado algarvio, Mendes Bota questionou o Governo sobre o que está a ser feito para travar o aumento da criminalidade no Algarve, o que acontece é que há cada vez mais veículos comerciais e seus proprietários a serem multados em valores equivalentes a mais um mês inteiro de salário (em Portugal, o salário médio de quem trabalha ronda os 600 euros) por infringirem “leis” novas que não existem em mais nenhum país da Europa!

E não será tudo isto um tanto absurdo, quando nos estamos a debater com uma das piores crises financeiras de sempre? Quererá Portugal passar a ser visto para sempre como uma das irmãs feias da Cinderela?

As famílias, por toda a parte estão afogadas em dívidas. E será que multando quem trabalha em centenas de euros se está a beneficiar alguém? Qualquer pequeno tostão que entra para os cofres do Estado, irá certamente ser ultrapassado em peso pelo desgosto e prejuízo que o cidadão comum sofre às mãos das autoridades.

Um agente esclarecido, primeiro que tudo informaria os cidadãos sobre as novas leis, bem como as multas aplicáveis. Assim, haveria uma oportunidade para cumprir as regras e isso teria um efeito positivo no futuro do país. Mas não. O que importa é o ganho a curto prazo.

E é isso que está a arruinar o país a todos os níveis. E o pior de tudo isto é que quem trabalha arduamente e paga impostos (com esforço) poderia mesmo marcar a diferença! Bastaria apenas acreditar. O futuro é aqui e agora, por isso, porque havemos de nos pôr de lado e permitir que tudo vá pelo cano abaixo?

Este editorial vem na sequência de um litígio de um leitor com a polícia a respeito de um atrelado.

Quando o comprou foi informado que este estava perfeitamente legal. Contudo, uma nova lei requer que seja devidamente registado. Uma vez que a pessoa em causa não é portuguesa, nós traduzimos as suas palavras de indignação para Português, e fizemos chegar a sua carta à esquadra da PSP da sua área de residência, onde deveria pagar uma multa de 600 euros. Acontece que a pessoa não tem quaisquer condições financeiras para pagar, e na sua carta explicou o porquê de achar a coima injusta. Será que as autoridades competentes irão aceitar os seus argumentos?

O que acha?

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