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Idiomas inventados
Minderico, Avatar & Línguas do Outro Mundo

Neste épico, que é já um dos filmes mais vistos (e lucrativos) nos cinemas de todo o mundo, os humanos invadem o planeta Pandora em busca de um mineral valioso e não hesitam em demonstrar a sua superioridade militar para subjugar os nativos. Alguns analistas dizem que é uma crítica à política externa norte-americana, comparando o argumento com a invasão do Iraque e os interesses petrolíferos.
No filme, o povo extraterrestre chamado Na’vi, fala um idioma próprio que foi imaginado pelo professor Paul Frommer, doutor em linguística, na Universidade da Califórnia. Cameron queria uma língua com estrutura gramatical e palavras reais. Frommer trabalhou vários anos no projecto para criar uma linguagem baseada na sonoridade. No idioma Na’vi, os sons são produzidos com a língua ou os lábios, sem a ajuda dos pulmões, como no dialeto sul-africano Xhosa.
Ficção? Há quem a traga para a realidade. Na Internet já há vários sítios que oferecem cursos da língua extraterrestre. Por exemplo, no sítio
www.learnnavi.org há um “guia de bolso” grátis com vocabulário básico, com cerca de mil palavras e algumas regras gramaticais da língua do outro mundo!
Na verdade, nada disto é inédito. O Na’vi não é a primeira língua inventada a ganhar o público. Os fãs da série «Startrek» têm até um instituto dedicado ao idioma klingon e há até versões traduzidas de obras como Hamlet. O élfico de J.R.R. Tolkien também tem fluentes, assim como a Novilíngua - um idioma fictício criado pelo governo hiperautoritário na obra literária 1984, de George Orwell.
Curiosamente, no centro de Portugal, há um dialecto chamado Minderico (ou Piação dos Charales do Ninhou). A sua origem remota ao século XVIII, fruto de uma comunidade fechada, localizada num vale, entre as duas serras (a d’Aire e a dos Candeeiros). O minderico não é reconhecido pelo Estado português, apesar de estar ameaçado de extinção (tem cada vez menos falantes).
Contudo, em Março do ano passado, foi o único idioma a merecer a atenção do Programa de Documentação de Línguas Ameaçadas (DOBES) da Fundação Volkswagen, que apenas financia 40 projectos em todo o mundo. Isto vai permitir que ganhe um novo fôlego entre académicos e populares, com várias acções educativas já a decorrer.
Ainda de regresso ao universo do cinema, quem sabe o musical sotaque algarvio poderá inspirar um realizador famoso nos futuros estúdios de Portimão?








