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Wikiworld

Ainda não eram 10h00 da manhã do último dia de 2009. Eu estendia o cartão de débito na caixa de um hipermercado, quando reparei na fila de pessoas que aguardavam (im)pacientemente pela abertura de um loja de telemóveis. Eram dezenas e todas diferentes.
A loja abriu. O desfile avançou por ali adentro. A dependência nas novas tecnologias já não é ficção, nem objecto de ensaios académicos. É o quotidiano. Ironicamente, horas mais tarde, dei comigo a festejar os primeiros segundos de 2010 em videoconferência (via Skype) com familiares e amigos no estrangeiro, a milhares de quilómetros de distância, sem qualquer custo a acrescentar à assinatura da Internet.
Em 2010, qualquer indivíduo pode facilmente ter vários planos de existência. Expressar-se livremente (num blog, por exemplo) é hoje um lugar comum, banalíssimo e normal para milhões em todo o mundo – sobretudo para as gerações mais novas. A vida digital faz-se com naturalidade em realidades ainda há pouco inexistentes, como as chamadas “redes sociais” (Facebook, Twitter, hi5 - um dos mais visitados pelos portugueses em 2009). Quem não está satisfeito com a vida real (analógica) pode substitui-la por uma virtual no (Second Life).
Ainda mesmo antes de 2009 acabar, Jimmy Wales, fundador da Wikipédia (a enciclopédia livre na Internet) anunciou que conseguiu angariar 7,5 milhões de dólares em donativos para a manter a funcionar. O dinheiro será usado para cobrir os custos operacionais da empresa (uma organização sem fins lucrativos), que inclui manutenção de servidores e largura de banda.
Desde que foi fundada em 2001, a Wikipédia tem sido escrita e actualizada por voluntários de todo o mundo. Mais de 340 milhões de pessoas utilizam-na todos os meses - quase um terço da população mundial com acesso à Internet. Hoje tem 3 147 160 de artigos (na versão inglesa). É o sexto website mais visitado do planeta.
“Imagine um mundo onde cada pessoa do planeta tem acesso livre à soma de todo o conhecimento humano”, provoca Wales. Um sonho? Agora, até já nem é preciso ter acesso à rede. Por 99 dólares, está à venda um pequeno aparelho electrónico que contém 3 milhões de artigos da Wikipédia. Chama-se «WikiReader», tem um ecrã táctil muito simples e é alimentado por 2 pequenas pilhas AAA.
E se a informação está hoje disponível a todos como nunca antes na História da humanidade, também a própria identidade de cada um é cada vez menos privada.
A Microsoft disponibilizou recentemente uma nova ferramenta que vasculha a web para montar um resumo com todas as informações que encontra sobre determinado internauta, como uma Wikipedia de pessoas comuns.
O «EntityCube» ainda está em fase de testes, mas o seu objectivo é gerar, a partir das informações encontradas na Internet, uma minibiografia da pessoa em questão, um gráfico com a sua rede social, e todos os elementos que tiver on-line. Segundo a empresa de Bill Gates, o site serve para encontrar informações sobre qualquer um e não apenas de celebridades…







