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A Perspectiva dos Cidadãos

Democracia, mas pouco

Uma equipa de investigadores do Instituto de Ciências Sociais, em Lisboa, apresentou o estudo «A Qualidade da Democracia em Portugal: a Perspectiva dos Cidadãos» - que a partir de agora, será realizado a cada dois anos. As conclusões baseiam-se numa amostra de 1207 inquiridos, maiores de idade, e os trabalhos de campo decorreram em Julho de 2011.
Bruno Filipe Pires, Edição 713 (26 Jan 2012), Sem Comentários »

A primeira grande surpresa é que apenas 56% dos inquiridos preferem a democracia sobre qualquer outra forma de Governo. E mais: 15 por cento consideram mesmo que, nalgumas circunstâncias, é preferível um governo autoritário!

Para os inquiridos, tal como está, a democracia portuguesa tem vários defeitos: a falta de confiança nos políticos/governo surge no topo da lista (19%), seguindo-se os governantes não eficazes (11%), desigualdades sociais (10%), corrupção (10%), crise (5%), cada um por si/não haver respeito pelas pessoas (5%) e não há democracia/a democracia funciona mal (5%).

Para 37% o desemprego é dos principais problemas da sociedade portuguesa de hoje. A pobreza e exclusão social (16%), a dívida do Estado (3%), o crescimento económico (11%), a criminalidade (8%), os impostos (6%), o futuro do sistema nacional de saúde (4%) e a permanência de Portugal no Euro (2%) são as estatísticas que se seguem.

Mais de 75% dos inquiridos concordam com frases como «os políticos preocupam-se apenas com os seus próprios interesses», «as decisões políticas no nosso país favorecem sobretudo os grandes interesses económicos» e «os políticos não se interessam pelo que pessoas como eu pensam».

A seguir aos governantes, a democracia é malvista por causa da Justiça. É que 59% dos entrevistados não consideram que todos os cidadãos, independentemente do seu estatuto económico, social ou político sejam tratados da mesma forma. E a maioria (54%) diz mesmo que as decisões da justiça são tão lentas que não vale a pena recorrer aos tribunais.

Até à data, o Presidente da República era, de acordo com este estudo, quem mais dá a voz às preocupações dos portugueses (22%). Claro que também este sentimento, provavelmente, nunca mais voltará a ser o mesmo…

E há esperança? Pelo menos, há um dado novo. Os inquiridos sentem-se mais representados pelos movimentos sociais de protesto (11,9%), que surgem à frente dos partidos (10,3%), sindicatos (9,5%), igreja (7,3%) e autarcas (2,7%).

O coordenador do estudo, António Costa Pinto destaca uma conclusão: “o forte sentimento antipartidário é uma marca que se começa a consolidar na sociedade portuguesa.”

Este estudo foi feito com o apoio da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento e a Fundação Calouste Gulbenkian e conta com um website em

http://www.bqd.ics.ul.pt/

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