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Paysandisia archon

Bioameaça em dose dupla: “nova” peste virulenta ameaça as palmeiras do Algarve

À medida que o escaravelho (Rhynchophorus ferrugineus) continua a chacinar as majestosas palmeiras um pouco por toda a região, uma nova peste foi identificada no barlavento algarvio e já fez as primeiras vítimas. O mais preocupante é que os hospedeiros preferidos desta peste incluem palmeiras saudáveis que ainda não foram infestadas pela praga do escaravelho.
Natasha Donn, Edição 702 ( 3 Nov 2011), Sem Comentários »

Chama-se Paysandisia archon, é uma espectacular borboleta (lepidóptero) originária da América do Sul, sendo vulgar em países como a Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. Foi introduzida “por engano” na Europa em 1999, através de plantas ornamentais importadas. No seu estado larval, faz tocas nas árvores, causando-lhes a morte.

Na semana passada, um ataque da Paysandisia – cujas larvas são marcadamente maiores e mais esbranquiçadas que as do escaravelho da palmeira – foi identificado num jardim privado na Praia da Luz, próximo de Lagos. Provavelmente, este foi o primeiro incidente conhecido com este insecto, o qual foi identificado também em Valência, Espanha, em 2010, depois de ter causado devastação em França e em Itália.

Para tornar as coisas ainda piores, as palmeiras afectadas, da variedade Howea forsteriana (a chamada “Kentia”) não foram consideradas como uma espécie em risco enquanto alvo deste insecto. Igualmente preocupante, ou intrigante, foi o facto de terem sido encontrados num jardim que incluía um número de árvores que estão documentadas como “hospedeiros preferidos” da Paysandisia archon.

Ou seja, tudo indica que esta peste está a adaptar-se e a aumentar a sua lista de potenciais ninhos.

“Este é mais outro exemplo da acção nefasta do homem no meio ambiente”, lamenta o ambientalista António Lambe, nosso colaborador regular que desde há vários anos se dedica a investigar formas eficazes de controlar o escaravelho da palmeira.

“No seu habitat natural, as populações de Paysandisia são equilibradas pela acção dos predadores nativos. Estes podem ser aves, pequenos roedores, ou até mesmo fungos. Claro que aqui na Europa não existe nenhum destes meios naturais de controlo”, explica.

Lambe tem sido um activista bastante crítico das autoridades com responsabilidade nestes assuntos – nacionais e europeias – que demoraram tantos anos a impor mecanismos de controlo e fiscalização nas árvores importadas, que o escaravelho da palmeira acabou por se instalar livremente, como se fizesse parte da vida selvagem! Hoje, praticamente não há um país que não tenha perdido árvores por causa desta peste.

“À luz da incompetência mostrada pelas autoridades locais – que nem sequer se dignaram a impor uma quarentena no Algarve, quando na altura, esta era a única região do país contaminada com o escaravelho da palmeira – temo agora pelo que possa acontecer a todos os jardins botânicos que temos em Lisboa e em Sintra”, diz-nos. “Arriscamo-nos a perder uma grande parte do nosso património botânico.”

Resta-nos dizer, que os hospedeiros preferidos da borboleta Paysandisia archon incluem a já fustigada (a favorita do Rhynchophorus ferrugineus); a Chamaerops humulis (a “palmeira das vassouras”, espécie espontânea do Algarve); e ainda as espécies Trithrinax campestris, Washingtonia e Syagrus – todas elas variedades populares, vendidas na maioria das estufas e viveiros de jardinagem espalhados pela região.

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