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Hotel Golfinho, Lagos
“Look dear, a lovely mamarracho!”

Na verdade, aparenta ser um mamarracho atípico, pois dá a entender que os seus fantasmas são recentes.
Percebe-se que ainda há pouco tempo atrás, havia ali certamente a energia positiva de veraneantes, das famílias em férias, dos casais apaixonados, de gente a divertir-se. Vida. E mais importante: postos de trabalho e dinheiro a circular na economia local. Afinal, não é a hotelaria a indústria do Algarve? Ou era?
Mais tarde, descobrimos que o romantismo associado a este local ainda está vivo na internet. “O Hotel Golfinho, localizado a 5 minutos do centro da histórica cidade de Lagos, goza de uma situação única, a menos de 200 metros da Praia D. Ana, uma das mais deslumbrantes enseadas do Algarve”.
É com estas idílicas palavras que um conhecido sítio de reservas “dos melhores hotéis do mundo a preços baixos” apresenta o defunto - como se ainda estivesse vivo!! E não é o único.
“Um hotel clássico em estilo português tradicional, perto da praia de Dona Ana, o local ideal para pessoas activas”, lê-se noutro sítio do género. Nalguns, é mesmo possível escolher as datas da estadia para as reservas!
Quem procurar um pouco mais, verá que uma imobiliária de Lisboa (ainda) tem on-line um documento datado de 2005, onde apresenta o imóvel, com 14.793 m2 de área construída, e dá algumas pistas sobre o seu destino.
“Foi encerrado pelos actuais proprietários, com o objectivo de aprovar um projecto de remodelação, permitindo que a infraestrutura seja modernizada. Este projecto de arquitectura já foi totalmente concluído e aprovado. A decisão final sobre a remodelação será tomada pelo novo proprietário.”
Que provavelmente espera por melhores dias, portanto, como tudo o resto. Entretanto, os turistas ficaram por ali a admirar o monstro sem pressas e com tanto interesse que nos inspiram uma ideia empreendedora.
Por que não criar um novo nicho de mercado: o turismo de mamarracho? Poderia criar-se um roteiro de pontos de (des)interesse, entrevistas aos autores dos mais feios projectos, ensaios sobre urbanismo, entre outras ideias para os curiosos. Exemplos não faltam e quem sabe se não resultaria?







