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Orçamento do Estado 2012 (OE/12)
Compro o que é mais barato, sou Pobre...

Vejamos um exemplo. A água engarrafada vai ficar mais cara (paga mais IVA) e justifica-se totalmente porque se trata de um produto de luxo. Tal como as jóias ou as canetas em ouro.
É que em qualquer cidade ou aldeia portuguesa, há fontanários com água natural, fresca e potável a jorrar aos litros em cada esquina! Além disso, também podemos ir à loja dos chineses comprar cantis de plástico e enchê-los em casa com água da torneira, que faz bem à saúde, e levá-la para toda a parte connosco.
A comida congelada, os enlatados e as refeições prontas também vão subir de preço. É como diz o outro: a crise é uma oportunidade para mudar de vida para melhor! As pessoas menos endinheiradas têm o mau hábito de consumir muito atum em lata durante o mês. Agora terão que ser mais criativos. Podem por exemplo, comer ossos, que são uma boa fonte de cálcio...
Os congelados também não fazem falta nenhuma em alturas de recessão. É que em breve, muita gente vai ter todo o tempo do mundo para preparar as refeições à boa moda antiga. Quando? Mal percam o emprego…
O café vai pagar a taxa máxima de IVA (23 por cento), não é?
Os patrões que restam aplaudem a medida, pois desencoraja o pessoal a baldar-se para ir beber um cafezinho durante a hora do expediente. A cafeína faz mal, portanto os portugueses vão diminuir esse hábito cultural pernicioso de beber café a toda hora. Podem contudo, continuar a beber vinho com fartura. Ainda bem que a cerveja permanece intacta, ou aí sim, haveria uma revolução! Ainda no universo familiar, a austeridade também é boa.
Com os óleos alimentares mais caros (23 por cento de IVA), as crianças vão comer menos batatas-fritas. Coca-cola só em dias de festa (o Natal não conta, pois muitos pais também já perderam o subsídio que permitia essas despesas). Os mais pequenos também vão ter menos sobremesas lácteas, portanto, menos açúcar no sangue, menos cáries e aprendem logo de tenra idade que é preciso fazerem-se sacrifícios e que a missão de salvar o país e o défice é para todos (aliás, sobretudo para os que não têm culpa nenhuma).
Em relação à meia hora de trabalho extra que o Governo exige, é que as coisas não são muito claras. Quem trabalha no privado está habituado a fazer muito muito mais que isso! Será que estes terão de dar algum tempo de sono ao Estado? Ou dos dias de folga? Um dia, quando (ou melhor, se) sairmos deste buraco, o povo português vai ter de começar a escolher melhor os seus governantes. Por agora, é aguentar ou emigrar…








