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InícioArtigosOpiniãoEscola salva no Sargaçal!

Escola salva no Sargaçal!

Mas que semana! Numa extraordinária demonstração do poder popular, um pequeno mas determinado grupo de pais de várias nacionalidades – portugueses, brasileiros, italianos, alemães ingleses – conseguiram salvar a Escola Primária EB1 do Sargaçal da cegueira da austeridade por mais um ano.
Natasha Donn, Edição 698 ( 6 Out 2011), Sem Comentários »

De facto, na semana passada, o destino parecia estar traçado para esta pequena escola, nos arredores de Lagos.

Isto porque apenas duas semanas depois do início do novo ano lectivo, chegou a notícia que a escola iria fechar devido à “falta de verbas para a deslocação dos alunos” diariamente para uma cantina escolar próxima.

Parecia um facto consumado. A indignação foi tanta que a notícia chegou à imprensa nacional e à televisão. Escreveram-se cartas convocatórias aos pais, para um encontro “para discutir a transferência das turmas” para um estabelecimento maior no concelho, e os professores sentiram-se humilhados.

Aquilo que ninguém esperou foi a força dos pais – conduzidos, verdade seja dita, por uma mulher com quem ninguém se atreve a discutir.

Maria Leroux, esposa de um vinicultor biológico local, manteve-se sempre resoluta. “Esta escola não vai fechar!”

Claro, outra coisa com a qual as autoridades não contaram foi com a capacidade estratégica dos pais. Perceberam rapidamente que a desculpa de “falta de verbas para a deslocação dos alunos” era completamente esfarrapada.

“Como é que vai transportar as crianças do Sargaçal para a nova escola?”, perguntou uma mãe a Júlio Barroso, o autarca de Lagos, quando este chegou à EB1 para distribuir mealheiros de cerâmica em forma de porquinhos aos alunos - “para os encorajar a poupar nestes tempos de austeridade” – e claro, enquanto ficam sem escola por causa da “austeridade”. Quão inapropriado pode isto ser?

“Por um autocarro da Câmara”, respondeu.

“Então, tem verba para um autocarro transportar as crianças da vila diariamente, ida e volta, mas não tem verba para um autocarro as levar a almoçar?! Por favor, diga-nos qual é a diferença no custo? Onde é que está a poupança?”

A pergunta pode ter sido retórica, mas a beleza do desfecho desta história é que uma pequena escola que tem construído uma atmosfera familiar (coisa cada vez mais rara nos “dias de austeridade”) nos últimos cinco anos, graças às várias comunidades alternativas que ali vivem, pode regressar à normalidade – em vez de ter sido catapultada à força para uma situação que ninguém nunca quis nem pode prever.

Esta pequena vitória também é a prova para todos, que quando tudo parece estar contra nós, resta-nos resistir. E fazer tudo para vencer.

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