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Vem aí o UARS!

Há tempos, passava na televisão uma publicidade um pouco parva, mas engraçada. Um homem estacionava o carro e saía. Segundos depois, mal virava as costas, caia-lhe um enorme satélite espacial em cima da viatura, destruindo tudo num impacto terrível.
Bruno Filipe Pires, Edição 696 (22 Set 2011), Sem Comentários »

Este anúncio de uma companhia de seguros não era particularmente genial. Mas é uma boa metáfora para o que pode estar prestes a acontecer.

A notícia corre o mundo: a agência espacial norte-americana NASA reconheceu estar “preocupada” com a queda descontrolada de um satélite obsoleto e inoperacional lançado há 20 anos, que poderá acontecer em qualquer parte do planeta Terra – possivelmente, dia 23 de Setembro.

O local e a data só podem ser calculados nas duas horas que antecedem o “evento”, devido à quantidade de variáveis que envolve. E ainda assim, com uma margem de erro de 6000 milhas.

Mas não há razões para pânicos bíblicos, caro leitor. Os cientistas da NASA calculam que a possibilidade de os restos mortais do «Upper Atmosphere Research Satellite» (UARS), atingirem alguém na cabeça é apenas de 1 para 3200…

E se isso acontecer, serão apenas cerca de 544 quilos de metal incandescente a cair do céu, já que, segundo as contas da NASA, uma boa parte do satélite de 5.9 toneladas deverá desintegrar-se ao entrar na atmosfera terrestre…

A NASA desdramatiza argumentando que já levámos com coisas mais pesadas em cima – a estação espacial russa Mir de 123 toneladas, que se despenhou no oceano em 2001, ou o Skylab de 91 toneladas, que caiu em 1979. Em ambos os casos, ninguém se queixou…

Se por acaso, o caro leitor encontrar um pedaço do UARS à porta da sua casa, a NASA diz que não deve tocar em nada. O melhor é chamar a GNR de Albufeira, que eles estão habituados a lidar com coisas estranhas – quer dizer, se ainda por cá estiverem…

A propósito deste assunto, contactámos várias autarquias e entidades oficiais da região. Quase todas se mostram receptivas a acolher os restos mortais do UARS no Algarve, onde teria potencial para ser uma nova atracção turística, por exemplo, a incluir no calendário de exposições de arte contemporânea do próximo programa «Allgarve».

Segundo apurámos, o satélite é bem-vindo em qualquer cidade da região, desde que não destrua nenhum prédio, nem nenhum campo de golfe durante a aterragem.

Entre as ideias avançadas para a sua utilização, o UARS poderia decorar uma das novas rotundas na futura rejuvenescida EN125 (o único problema é que o cobre nunca poderia ficar à vista).

Outra opção a considerar, seria converter o satélite numa discoteca temporária à beira-mar para animar as noites do jet-set, já no próximo verão de 2012.

Em alternativa, poderia ser afundado em Portimão, juntamente com os velhos navios da marinha portuguesa, para dar um toque “espacial” ao projecto do museu subaquático.

Alguns populares, no entanto, disseram-nos que gostariam de ver o UARS cair com bastante força, mas mais para norte, num certo edifício da capital portuguesa…

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