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Edição 730
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Hum... e que tal métodos não convencionais?

Certa vez, numa viagem de autocarro particularmente desconfortável e lenta, lembro-me de ter ouvido o motorista dizer que era muito fácil acabar com engarrafamentos e outros problemas do trânsito: bastava que a certas horas, apenas pudessem circular as viaturas que já estivessem totalmente pagas ao banco!
Bruno Filipe Pires, Edição 695 (15 Set 2011), Sem Comentários »

Quem sabe se este motorista não poderia ter dado um excelente político? Lembrei-me disto a propósito das recentes declarações do comissário europeu para a Energia, um senhor alemão chamado Günther Oettinger.

Em entrevista ao jornal germânico «Bild», Oettinger sugeriu uma solução para resolver rapidamente a crise na zona Euro. “Tem circulado a sugestão de colocar as bandeiras dos países pecadores a meia haste nas fachadas dos edifícios comunitários”, disse.

Segundo este comissário alemão de 57 anos, tal medida “seria apenas simbólica, mas ainda assim teria uma grande força dissuasora”.

Na opinião de Oettinger, membro do partido de Angela Merkel (CDU), a União Europeia deve usar métodos “não convencionais” para que os gregos assumam com maior vigor a vontade de resolver os problemas.

Bem. Será que pressionar as nações “pecadoras” do euro através da humilhação do seu símbolo nacional, resolve alguma coisa? E “uma grande força dissuasora”, motiva alguém a resolver problemas?

A resposta pode estar no passado, que é a chave universal para entender o presente e às vezes, até, fazer previsões para o futuro (dizem os académicos). Na verdade, já foram aplicados métodos “não convencionais” na Europa para resolver algumas questões consideradas incómodas. Segundo os registos que nos chegaram, não foi bonito.

Mas nós por cá também temos tido algumas sugestões originais. Um exemplo? O senhor bastonário da Ordem dos Médicos propôs ao ministro da Saúde, Paulo Macedo, a criação de um imposto sobre a fast food. O nosso doutor José Manuel Silva quer taxar “alimentos não saudáveis, como o sal, os hambúrgueres, os venenosos pacotes de batatas fritas e as embalagens de dezenas de variedades de lixo alimentar.”

Tem razão. Ninguém no seu perfeito juízo defende a fast food.

Mas daí a quererem-se novos impostos para desencorajar o consumo - vai uma grande distância! Quer dizer, primeiro deixa-se invadir o país de centros comerciais, autênticas catedrais da comida rápida e barata.

E depois tenta-se travar as alterações dos hábitos alimentares dos portugueses com medidas repressivas! Ou como diz o senhor Oettinger... pela “força dissuasora”: comes hambúrguer, pagas mais impostos!

Já agora, porque não taxar os enchidos e fumados tradicionais, as alheiras, os presuntos salgados, os nossos queijos com percentagens avassaladoras de gordura animal, ou os doces carregados de açúcar da nossa gastronomia?

Provavelmente, assim jamais precisaríamos de ver a nossa bandeira à meia haste por causa da dívida soberana…

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