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Um euro, se faz favor…

Já deve ter reparado que cada vez mais, tudo custa, no mínimo, um euro. É uma espécie de preço standard estabelecido para muitas coisas banais (algumas indispensáveis, outras nem por isso) do quotidiano. Cinco pães pela manhã? Um euro.
Bruno Filipe Pires, Edição 694 ( 8 Set 2011), Sem Comentários »

Uma simples bebida num qualquer evento de Verão? Um euro. Um pacote de pastilhas elásticas? Um euro. Uma fartura? Um euro.

A lista é interminável. O problema é que “um euro” é muitas vezes mais do dobro do custo que todas essas coisas tinham antes de 2002! Como é possível?! Será que neste intervalo de tempo, a inflação subiu tanto para justificar estes brutais aumentos? Acreditará nisso quem quiser...

Outra coisa espantosa é que antes de 2002, os trocos tinham algum valor. Podia ser pouco, mas valia a pena amealhá-los no porta-moedas, no bolso. Juntavam-se alguns trocos e pagava-se um lanche. Hoje, as moedas de cêntimo só encontram utilidade para a demasia das notas. Basta ver a quantidade destas insignificantes moedas que é necessária para pagar um café, ou um litro de leite.

“É um euro, se faz favor!” Vá à praça, vá ao café, ao quiosque da esquina, à festa da paróquia, o pedido repete-se. Nem mais, nem menos. Mas no fim de contas, “um euro” não satisfaz ninguém. Quem consome queixa-se que é caro. Quem vende, queixa-se que não consegue ter lucro! Poderá haver maior paradoxo?

Esta estranha dinâmica económica é agravada pela falta de liquidez (leia-se, falta de dinheiro na carteira), um mal que afecta a maioria do cidadão comum. E nas pequenas e médias empresas, todo o cuidado é pouco! Mesmo com uma boa gestão, há uma tendência inexplicável neste novo dinheiro em só crescer para o lado negativo…

Hoje é nítido que as pessoas têm dificuldade em viver com esta moeda – é dificilíssima de se ganhar (pelo menos, honestamente), mas é tão volátil que desaparece mais rápido que a água no deserto!

Outra coisa espantosa é que desde 2002, ano zero do Euro, as crises sucedem-se. É o défice, a dívida soberana, a recessão, a troika – e resulta tudo sempre no mesmo: o aumento do custo de vida para o cidadão comum.

Claro, num mundo perfeito esta moeda teria muitas vantagens. Mas que sentido faz num país onde o salário mínimo nacional é de €485? Outro paradoxo?

Em Abril passado, o economista Nouriel Roubin previu que Portugal poderá ter de sair do Euro. Uma posição também partilhada no início deste mês por Desmond Lachman, ex-director adjunto do FMI. É quase certo que ambos estão certos, ou não?

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