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O que é um Estado Falhado?

Os Estados falhados (“failed”) ou em vias de desintegração (“failing”) são o que de mais errado existe no mundo, ou até na própria humanidade.
Bruno Filipe Pires, Edição 693 (31 Ago 2011), Sem Comentários »

Algumas destas nações são a encarnação da anarquia, como a Somália – que ocupa o primeiro lugar no índex para 2011 das 60 nações falhadas da revista bimestral de política e economia internacional «Foreign Policy» (www.foreignpolicy.com/failedstates).

Outras são simplesmente territórios esquecidos, como é o caso da República da África Central, talvez o mais árido e miserável país do planeta.

Mas nem sempre é a falta de recursos a causa de todas as misérias. Um exemplo recorrente é a Nigéria (8º lugar no top), que produz 2,5 milhões de barris de petróleo por dia.

Imensamente rico, este país é uma oligarquia lucrativa apenas para um grupo de políticos e empresários. Os membros do parlamento ganham mais que um milhão de dólares por ano, e a capital Abuja assemelha-se ao Dubai em ostentação.

No entanto, a pobreza está profundamente enraizada. A maioria dos hospitais e escolas está decadente e estima-se que 70% da população vive com menos de dois dólares por dia (os jovens são os mais afectados pelo desemprego generalizado).

No índice da «Foreign Policy», Portugal surge na 163ª posição num total de 177 países. Portanto, teoricamente está longe de ser um Estado Falhado.

Mas na prática, a questão é outra. Sem a garantia dos 78 mil milhões de euros de ajuda externa, que teria acontecido? Hoje, falta dinheiro para praticamente tudo. Uma em cada dez autarquias portuguesas está falida. E finalmente, já não é só o cidadão comum que sofre as consequências do imparável falhanço em curso.

Um exemplo recente - um mega empreendimento de luxo em Torres Vedras acaba de falir. O Campo Real foi um investimento de 170 milhões de euros e integrava um hotel com 151 quartos, SPA, campo de golfe, um conjunto de 371 casas e um centro equestre. Este projecto de luxo do grupo Orizon implicava ainda a construção de uma segunda fase, orçada em mais 100 milhões, que previa a instalação de mais 343 moradias.

Será que temos tantos ricos para sustentar estas coisas?

É que ao contrário da Nigéria, aqui não há petróleo.

Ah, e não se prevêem mais fundos comunitários…

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