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Pedalar nú e outros movimentos

E não é que há portugueses dispostos a pedalarem nús, só para chamarem a atenção para uma causa? No último domingo, 26 de Junho, várias dezenas de pessoas juntaram-se em Lisboa para a primeira edição do World Naked Bike Ride organizado em Portugal.
Bruno Filipe Pires, Edição 684 (30 Jun 2011), Sem Comentários »

Claro que a nudez pública não é permitida pela lei portuguesa, mas isso não é o mais importante. Esta é uma ideia que já passou por vários países.

Tem três objectivos. Chamar a atenção para a vulnerabilidade dos ciclistas, passar uma mensagem amiga do ambiente, e divulgar o uso da bicicleta enquanto meio de transporte viável.

Este evento fez-me lembrar um colega alemão que trabalhou aqui no nosso jornal há alguns anos atrás. Muitas vezes, pedalava de Silves até Portimão, correndo muitos riscos no caos do trânsito da EN 125, sobretudo durante o Verão.

Certo dia, ao ver a sua corajosa determinação, disse-lhe, em jeito de elogio, que tinha ficado admirado com a quantidade de bicicletas que eu vira na minha primeira viagem a uma das grandes cidades da Alemanha.

Ele respondeu-me – “admirado fico eu, como vocês, com o clima fantástico que têm, não andam mais de bicicleta!”.

Claro, devia ter medido melhor a minha ingenuidade…

Estima-se que nalgumas cidades da Holanda, como Groningen, metade (50 por cento) da população anda de bicicleta! Esta conversa toda não é para dizer que estamos contra os automóveis, ou seríamos hipócritas, pois na verdade, não temos outra alternativa.

Serve apenas para dizer que, se calhar, está na altura de revermos a nossa mentalidade, e exigirmos, de uma vez por todas, mais qualidade nos nossos ambientes urbanos. No Algarve, temos um excelente exemplo. Em Vila Real de Santo António, existe uma rede de ciclovias, que não sendo muito grande, é bastante popular.

Nas manhãs de Sábado, é ver os locais irem às compras, ou simplesmente passearem, tranquilamente nas suas bicicletas. Seria bom se este município convidasse outros autarcas portugueses a lá irem passar uns dias de férias, para aprenderem alguma coisa sobre mobilidade alternativa…

Outra iniciativa que passou praticamente despercebida, é que no passado dia 6 de Junho, também na capital, houve uma marcha promovida e organizada por três cidadãos independentes, dois portadores de deficiência. Chamava-se “Deficientes são as cidades” e foi tão ignorada pelos media que motivou uma queixa ao provedor do telespectador do canal público RTP1.

Felizmente, hoje, todos estes movimentos estão a ser livremente discutidos, convocados e espalhados através das redes sociais. São novos ventos sociais a emergir e soprar cada vez com mais força.

Quem sabe, num futuro próximo, até onde nos podem levar?

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