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David versus Golias em Monchique

Esta quinta-feira, às 15h00, na Caixa Agrícola de Monchique, realiza-se o 2º round de uma batalha cada vez mais ao jeito de David contra Golias.
Natasha Donn, Edição 683 (23 Jun 2011), Sem Comentários »

Do lado do “verde” temos David – uma comunidade inteira, apoiada pela Câmara Municipal, os empresários locais e as associações protectoras do ambiente.

Do lado “laranja” temos Golias – o governo central, pressionado por consórcios nacionais e internacionais.

Embora esteja longe de ser democrático, a verdade pura e dura é que até mesmo quando uma população inteira está a braços contra um plano que considera ser devastador para a beleza do ambiente rural, não há quase nada que possa ser feito caso o governo central decida aprovar o plano.

“É por isso que é tão importante que as pessoas apareçam em força na quinta-feira”, explica Marisa Sampaio, do gabinete do presidente da Câmara, Rui André.

“Precisamos que o representante do governo venha à reunião para ver a força dos sentimentos da comunidade”.

“Também precisamos desmistificar certas ambiguidades”, acrescenta o geógrafo do município, Eduardo Duarte. “Há pessoas que pensam que poderá haver benefícios económicos para a comunidade neste plano – que claro que não o são.

Existem apenas impactos negativos para o ambiente”. Na verdade, tal como as empresas de turismo locais apontam, poderá haver menos oportunidades de emprego para Monchique se os planos obtiverem a luz verde.

Em risco está uma fatia da paisagem rural intocada, na vertente sul da Picota. Em Março último, dois conglomerados nacionais entraram na corrida para adquirir os direitos de prospecção de feldspato – mineral usado na indústria cerâmica – em dois sítios separados ao longo da Picota.

Se a sua pretensão for bem sucedida, quase 3 milhões de metros quadrados da encosta poderão vir a ser escavados para dar lugar a uma pedreira – e a porta seria deixada aberta para mais companhias, mais pedreiras...

Num emotivo encontro público há algumas semanas atrás – onde o autarca Rui André assinou publicamente a petição contra qualquer plano para uma pedreira, Eduardo Duarte afirmou à audiência que “ Monchique vai ficar desventrada... em vez de mostrar ao mundo as suas roupas, irá mostrar os seus ossos – e menos e menos pessoas virão para cá”.

A extracção iria dizimar o abastecimento de água da área ao “reduzir e contaminar” as cinco principais linhas de água, haveria poluição sonora, poluição atmosférica, destruição da flora e fauna, e indirectamente isso elevaria os riscos de incêndio, confessou.

Os danos ambientais iriam superar de longe quaisquer benefícios económicos, salientou Eduardo Duarte.

Portanto, o encontro de quinta-feira foi convocado pela Assembleia Municipal, e serve de ocasião para um “esclarecimento público”. “Os cidadãos poderão confrontar o representante do governo – e, esperançosamente, descobrir qual é realmente a intenção do seu departamento”, concluiu.

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