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Foi você que pediu uma relação extraconjugal?

Cada vez mais portugueses parecem estar enfastiados com os seus relacionamentos (legítimos). Desde que chegou a Portugal, em Abril passado, o portal «Secondlove» não tem parado de crescer. Só num mês, inscreveram-se quase 8000 pessoas.
Bruno Filipe Pires, Edição 682 (16 Jun 2011), Sem Comentários »

Atenção que este não é mais um vulgar sítio para encontros virtuais, casamentos ou busca de relacionamentos amorosos.

Foi criado especialmente para pessoas comprometidas em relacionamentos sérios, mas que por qualquer motivo que só elas saberão, querem uma aventura “extra-conjugal”.

Não vale a pena moralizar, porque com uma média de 1900 inscrições por semana, o crescimento está acima do obtido nos anteriores países onde este conceito foi implementado - Holanda, Bélgica e Espanha.

O processo é simples. Para haver interacção (por exemplo, troca de mensagens e fotos) é preciso pagar uma assinatura.

Contudo, qualquer pessoa maior de idade pode registar-se para consultar os perfis. Falámos com alguns utilizadores que nos contaram um pouco do que viram.

Alguns homens auto-descrevem-se com sinceridade – “sou um tipo banal”; “um bocadinho acima do peso, com umas falhas no cabelo”. Um senhor de 49 anos explica que “a barriguinha ainda não é um caso sério”.

Outro senhor, admite que “não sou um George Clooney”, embora os seus atributos, “nunca me causaram embaraço ou foram fonte de desmotivação alheia”.

Além disso, mais informa que “exerço uma profissão liberal, felizmente bem remunerada”. Dá sempre jeito, claro. Quem é que quer um amante pelintra?

Há também quem use adjectivos bem-intencionados (embora que se calhar não correspondem bem ao perfil do homem português típico) – “bem-humorado”, “sereno”, “educado”, “respeitador”, “brincalhão”, “sincero”, “tímido”, “um homem confiante”. Outros puxam pelos canudos – “licenciado, culto e profissional” – porque nunca se sabe, se com uma amante, poderá também vir um novo emprego. Na empresa do marido dela, por exemplo…

Há ainda quem reconheça que está “em melhoria contínua”. Um bom desafio para senhoras que não se importem com algumas imperfeições….

E também casos originais – “Intelectual de café, urbano não depressivo”; “sou tal qual o albatroz no rasto da traineira”; “sou como uma brisa mesmo suave”.

E finalmente, há também quem apresente as suas filosofias de vida: “prefiro arrepender-me por algo que fiz, do que por algo que deixei por fazer”. “Looking for trouble” (e provavelmente, uma amante que fale inglês).

Segundo nos disseram, a parte feminina também tem os seus encantos. Uma jovem de 26 anos diz que “a melhor maneira de resistir à tentação é ceder!”.

Será mesmo? Outra senhora, na casa dos 30 confessa-se: “tenho uma relação estável e gratificante há vários anos mas gostava de algo mais.”

Outra senhora informa que “sou puramente pura, venho cá buscar um parceiro para apimentar os meus dias, uma alma que não seja gémea, pois já tenho, venho para brincar, queres?”.

Outra diz apenas: “tenho talentos especiais”. Com tantas virtudes e boas ideias, por que motivo tanta gente precisa de um segundo amor?

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