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Conheça o herbário da Universidade do Algarve

Foi também a data escolhida para revelar, pela primeira vez, algo muito interessante mas praticamente desconhecido – o herbário da Universidade do Algarve – no Centro de Ciência Viva do Algarve, em Faro.
Os professores Maria Manuela David e José Rosa Pinto inauguraram uma pequena exposição que apresenta ao público (geral e escolar) um primeiro e inédito contacto com este equipamento científico.
O herbário reúne 22 750 espécies (11 560 plantas, principalmente de Portugal, mas também de outros países, e 11 100 algas da costa portuguesa). Mas só a própria história merece ser contada.
Em 1984, o primeiro reitor da Universidade do Algarve reuniu fundos para adquirir a colecção de um particular (o naturalista Antunes Guerra). Desde então, e apesar dos esforços de vários docentes, o herbário esteve encaixotado até 2006. Só passados mais de 20 anos é que finalmente foi disponibilizado um local minimamente digno para albergar este espólio.
Por outro lado, o herbário também só ganhou vida graças ao trabalho voluntário e meticuloso do professor Rosa Pinto (antigo oficial do Exército apaixonado pela botânica) que passou horas a montar cerca de 9 mil exemplares que ainda estavam dentro do papel de jornal a secar.
Um herbário é um espaço semi-público, aberto à sociedade em geral, “onde as pessoas podem ir”, explica a responsável Maria Manuela David. Para além de dar prestígio à Universidade, é útil em áreas diversas, desde o ensino, à investigação, à regeneração do ambiente.
A ideia de conservar material vegetal de forma simples e duradoura fora do seu ambiente natural (ex situ), remonta ao século XVIII. Na sua forma tradicional, um herbário é constituído por uma colecção biológica de plantas secas, acompanhadas de uma ficha técnica com diversos dados importantes – o nome científico, o local e data de recolha, entre outras informações.
Os herbários modernos já usam outras técnicas como por exemplo, a criocongelação e bases de dados informatizadas – aliás, que será o próximo ambicioso passo do herbário algarvio.
Na exposição, é possível ver o espécimen mais antigo, datado de 1883, recolhido no velho império Austro-húngaro. Mas não é apenas a geografia que muda. Como resultado de toda a actividade humana e até das alterações climáticas, hoje, há plantas que já desapareceram e apenas restam nestes arquivos.
O herbário também é útil para identificar espécies invasoras, que são um grave problema responsável pela perda de biodiversidade em todo o mundo.
Só em Portugal são conhecidas 525 espécies invasoras que se sobrepõem às autóctones. Depois, há plantas carnívoras, plantas jurássicas e outras curiosidades para descobrir.
A mostra fica patente até 17 de Junho.








