| Faça login ou registe-se para poder fazer um comentário. | Sem comentários. Seja o primeiro a fazer um. |
Movimento «E o povo, pá?»
Acções clandestinas para agitar o sistema

As imagens diárias mostram os habituais beijinhos e abraços nas feiras. Cenários onde os políticos do costume se movimentam temporariamente nestas ocasiões de corrida ao voto. E a massa anónima adere à festa.
Ri desdentada ao todos os candidatos com o mesmo entusiasmo. As entrevistas no terreno recolhem comentários avulsos, declarações de circunstância, recados para os adversários e promessas sem grandes hipóteses reais de serem postas em prática. Nem é preciso fazer sondagens: a demagogia já está a ganhar e o populismo vem logo a seguir.
Surgem algumas ideias absurdamente originais, como por exemplo, o pagamento de apoios sociais em géneros alimentícios. Não seria mais urgente discutir o emagrecimento do Estado, esse sim, insustentável? Ou debater estratégias para fazer crescer a economia nacional, o mais rapidamente possível?
No meio de tudo disto, começam também a surgir alguns sinais de insatisfação. Ainda não é a Líbia, nem o Egipto, mas é mais um sinal que o país está cansado destas políticas.
No ínicio desta semana, o movimento «E o povo, pá?» (http://eopovopa.wordpress.com/) colocou cartazes de protesto em 30 centros de emprego do país com a frase “Não queremos subsídios, queremos emprego”. Porquê esta acção clandestina? Eles explicam. Quem está desempregado é quase co-agido a frequentar acções de formação desajustadas da sua realidade profissional e pessoal.
É obrigado a apresentar-se a cada 15 dias numa Junta de Freguesia, como se fosse um criminoso com termo de indentidade e residência.
É obrigado a apresentar carimbos de empresas para comprovar que estão à procura de trabalho (já há quem peça dinheiro por isso ou mostre má vontade em colaborar).
“Actualmente, num Centro de Emprego não se encontra emprego”, escrevem, apenas acções de fiscalização, ameaças, e trabalho quase-gratuito.
O protesto conta com o apoio do escritor José Luís Peixoto. No entanto, é curioso que seja a única figura pública a interessar-se, sobretudo quando há quase 700 000 pessoas sem trabalho.
Recentemente, o eurodeputado Carlos Coelho disse uma coisa interessante na televisão: “a democracia só o é, genuína, legítima e desejável, se garantir a liberdade, a justiça, a igualdade de direitos e deveres e o bem-estar dos cidadãos”.
Será que isto também não diz nada a ninguém?








