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Conheça dois pelintras profissionais

Como viver sem dinheiro?

Muitos portugueses andam preocupados. Culpam a crise e acham que vêm aí (mais) miséria. No entanto, a penúria é cada vez mais uma filosofia de vida, um caminho para uma existência feliz, com muitos seguidores espalhados por essa Europa fora.
Bruno Filipe Pires, Edição 674 (21 Abr 2011), Sem Comentários »

O caso mais mediático é o do irlandês Mark Boyle, um economista desiludido com o sistema que vive há dois anos e meio sem dinheiro. Inspirado nos princípios de Ghandi, habita uma roullote junto a uma quinta biológica próxima de Bristol, em Inglaterra. Recentemente, pedalou 5000 quilómetros de bicicleta até ao Porto, para participar num evento onde contou como consegue viver feliz sem conta bancária, emprego fixo ou luxos.

Boyle defende o regresso à economia de troca e partilha, e considera que o mal-estar social e ambiental vem da falta de ligação das pessoas à produção dos bens que utilizam e consomem.

Escreveu o livro «The Moneyless Man», em que relata o primeiro ano de vida fora da economia monetária, que já levou a que várias outras pessoas se aventurassem em experiências idênticas. Na Internet, as suas ideias ganham vida num sítio chamado «The Freeconomy Community».

O irlandês tem uma vida absolutamente frugal. Lava a roupa no rio, cultiva os seus próprios alimentos, faz trocas com a vizinhança e aproveita a comida em bom estado que esteja em vias de ser desperdiçada, por exemplo, por restaurantes. A vida social faz-se ao redor da fogueira, com amigos e guitarras. Considera-se honesto, livre e feliz.

Outro caso interessante (embora menos mediático) é o da resiliente alemã Heidemarie Schwermer, 69 anos. Foi durante muitos anos psicoterapeuta e professora em Dortmund.

Um dia reparou que a sua vida resumia-se a trabalhar para ganhar dinheiro para comprar coisas, tanto as necessárias como as fúteis (inúteis).

Na sua profissão, Schwermer conheceu um rol infindável de gente, pessoas deprimidas e frustradas, porque trabalhavam excessivamente e não tinham tempo livre, ou porque não ganhavam o suficiente, ou estavam desempregadas e sentiam-se inúteis.

Heidemarie teve então a ideia de começar um clube de trocas em 1996, o primeiro da Alemanha, onde pessoas podiam trocar livremente bens e serviços voluntários. Depois de ter criado os dois filhos, e inspirada pelo sucesso da sua ideia, resolveu abandonar tudo e fazer uma experiência radical

Deixou o apartamento, deu tudo o que tinha a amigos e familiares, e, começou uma nova vida baseada neste sistema, sem dinheiro. Impossível? A verdade é que a ex-professora alemã vive assim há 14 anos. A sua experiência será em breve contada num documentário com o título «Living without money» que está a ser anunciado na Internet. Exemplos radicais, mas certamente inspiradores para os dias que vivemos.

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