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Edital n.º41 de 1972 em 2011

O dito documento “faz saber” o “regulamento de porteiros” (profissão hoje praticamente extinta), aprovado por deliberação da autarquia entre “1 e 29 de Março de 1972”. Já lá vão quase 40 anos! O mais curioso é que o dito edifício não parece ser assim tão antigo.
Intrigado, tentei ler mais. Foi difícil. O edital está alto, quase rente ao tecto e em letras miudinhas. Ainda assim, é possível perceber algumas curiosidades.
Por exemplo, ao serviço tal profissional deveria “apresentar sobre o peito e do lado esquerdo, uma placa metálica oval com o eixo maior de 8 cm e o menor de 6 cm com a palavra PORTEIRO”.
Também estão lá escritos os requisitos para o desempenho desta função: “ter a escolaridade obrigatória para a idade” (?) e um “estado de saúde” devidamente verificado pelas autoridades, de modo a “que não possa ser prejudicial aos inquilinos do prédio”….
Outra surpresa é que este trabalho não se esgotava na limpeza das escadas. Também tinha os seus desafios, alguns emocionantes, com funções de verdadeiro policiamento...
Por exemplo, cabia ao porteiro de Faro “vigiar rigorosamente as escadas, não permitindo a entrada de mendigos e indagando das pessoas não conhecidas o andar a que se dirigem e a pessoa que procuram”. E também “impedir” a “aglomeração de pessoas e quaisquer discussões que alterem o sossego do prédio”. Salazar não gostava de aglomerações…
O porteiro tinha ainda uma responsabilidade social! Deveria advertir os inquilinos que não podiam “sacudir tapetes e cobertores”, “nem regar flores das varandas” sobre “a via pública desde as 7 às 24 horas e a qualquer hora se daí resultar prejuízo ou manifesto incómodo para terceiros”.
Ah, como era pacata a vida!







