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Edição 730
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D. Maria, vá já para o seu sarcófago egípcio!

Próximo de Sintra, uma idosa esteve morta em casa durante nove anos. Deixou de ser vista em Agosto de 2002. Entretanto, as Finanças penhoraram-lhe a casa e venderam-na num leilão com ela ainda lá dentro…
Edição 667 ( 3 Mar 2011), Sem Comentários »

A culpa?! É de quem governa e não pensa nestes assuntos como deveria, claro! Bastava que há uns anos atrás tivéssemos começado a importar sarcófagos egípcios (e não apenas palmeiras infestadas de escaravelhos) e tivéssemos aprovado um decreto-lei que obrigasse todos os maiores de 65 anos a viver, pelo menos, metade do dia (e a totalidade da noite) dentro deles para evitar este tipo de problemas, ora! Os idosos que não cumprissem esta lei, perderiam a reforma e os medicamentos, podendo até nalguns casos, ser obrigados a trabalhar de novo para pagar as coimas.

Esta medida simples tornaria o processo da morte solitária no domicílio muito mais higiénico, fácil, cómodo e conveniente para todos.

Vejamos: o Fisco poderia penhorar as casas dos idosos com mais segurança e à vontade, mesmo com eles mortos lá dentro. Saberiam pois, que haveria uma grande probabilidade dos novos proprietários não terem surpresas desagradáveis no chão da cozinha ou no sofá da sala!

Além disso, o sarcófago poderia ser facilmente removido, deixando livre o resto do património para ser vendido em hasta pública até à última panela. Quem sabe se com isto não se consegue salvar o país do abismo financeiro?

Por outro lado, nunca mais ninguém nos prédios onde há idosos em fim de vida voltaria a ser incomodado com cheiros esquisitos, pois até os sarcófagos egípcios mais baratos oferecem boas condições de conservação que podem ir daqui até à eternidade (normalmente, o Fisco não costuma precisar de tanto tempo).

Cerca de 390 mil pessoas com mais de 65 anos vivem (?) sozinhas em Portugal. Portanto, percebe-se a urgência de fazer qualquer coisa enquanto ainda respiram...

Vozes mais moralistas falam em “desumanização da sociedade”. Uma falácia! Pois quando um idoso desaparece sem que ninguém dê pela sua falta, na verdade, não se trata de um desaparecimento, porque na maioria dos casos, simplesmente, há muito tempo que ninguém dá pela sua presença…

Por outro lado, há milhares de motivos que podem explicar o eclipsar sem deixar rasto dos nossos seniores. A maioria dos avôs e avós de Portugal recebem excelentes pensões de reforma. Por isso, até a vizinhança mais indiferente, sabe que muitos viajam frequentemente de férias para os trópicos. Se não regressam é porque o coração entretanto falhou nalgum amor ocasional. E depois? Alguém dará por isso?

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