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O fim da inocência
Paradoxalmente, são a primeira geração com o maior nível de formação na história. Saltaram do analfabetismo dos avós, da baixa escolaridade dos pais (em cujas casas ainda vivem) para os estudos superiores. Aliás, são tão bem educados que até os organizadores deste protesto admitem “que até agora compactuámos com esta condição”.
Muitos já se aperceberam que apesar dos diplomas vivem tão mal ou pior que os seus antepassados. Estão desempregados. São explorados em estágios não remunerados. Trabalham a recibos verdes. Ganham 500 ou menos euros por mês. Trabalham nas lojas das grandes superfícies comerciais, em call centers, ou noutra qualquer função subcontratada, temporária, precária.
No manifesto que tornaram público na Internet, os organizadores deste protesto dizem que não querem “ser todos obrigados a emigrar, arrastando o país para uma maior crise económica e social!”
E por isso mesmo vão protestar na rua “para que todos os responsáveis pela nossa actual situação de incerteza - políticos, empregadores e nós mesmos – actuem em conjunto para uma alteração rápida desta realidade, que se tornou insustentável”.
“Caso contrário desperdiçam-se os recursos e competências que poderiam levar o país ao sucesso económico”. “Acreditamos que temos os recursos e as ferramentas para dar um futuro melhor a nós mesmos e a Portugal”, garantem.
Entre afirmações utópicas e o desejo de sair para a rua, uma coisa é desde já certa: num presente a continuar assim, não se vislumbra futuro.







