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Quem ficará?

Estamos preocupados. Muitas vezes, os anúncios que os nossos leitores publicam deixam-nos apreensivos. As histórias de vida por detrás de cada classificado são um espelho do estado geral da região e do país.
Bruno Filipe Pires, Edição 664 (10 Fev 2011), Sem Comentários »

Desde há pelo menos 64 semanas para cá, temos vindo a notar que cada vez mais pessoas estão a ir-se embora. Claro, nas nossas páginas sempre assistimos a migrações e a movimentos de pessoas, mas nos dias que correm é cada vez mais frequente a frase “vende-se por motivos de saída do país/ida para o estrangeiro”.

O perfil mais frequente corresponde normalmente a anunciantes portugueses, na faixa etária dos 30 anos, que vão à procura do trabalho (ou do emprego) que aqui não encontram.

Colocam à venda o recheio de casa completo (móveis, electrodomésticos, até os brinquedos das crianças) e os automóveis. Perguntamo-nos se o país se pode dar ao luxo de desperdiçar esta população activa, estas famílias que supostamente são (ou deveriam ser) a base da sociedade? E que vida, os espera lá fora?

Contudo, não são os únicos a alimentar o fluxo da retirada. Em igual período, temos vindo a notar que cada vez mais estrangeiros que residiam no Algarve (alguns reformados, outros trabalhadores no activo) também têm vindo a publicar cada vez mais anúncios com a frase “vendo por motivos de regresso a/mudança para” os seus países de origem.

A maioria quer regressar ao Reino Unido, Alemanha, Holanda e até ao Brasil.

É confrangedor ver que a motivação destas pessoas é de tal ordem forte e definitiva, que muitas até se vêem obrigadas a separarem-se dos seus animais de estimação.

Ainda há pouco tempo, um anunciante de nacionalidade britânica confidenciou-nos que se ia embora porque “a vida está cada vez mais difícil aqui” e que “receava poder complicar-se mais ainda”.

Uma leitora alemã, por exemplo, que durante muitos anos teve um negócio no Algarve, está a desfazer dele porque se diz “farta” da forma como a economia não funciona. Este é apenas um exemplo entre os pequenos negócios, lojas e prestadores de serviços, que no fundo traziam dinamismo e diversidade à região e que estão a fechar todos os dias.

Há pouco tempo, uma das nossas tradutoras, ao ler que a Alemanha está interessada em atrair jovens portugueses licenciados, perguntou-me quem ficaria em Portugal num futuro breve? Apenas “reformados” e “corruptos”, questionou?

Pelo que estamos a assistir, e pelo rumo que o país teima em continuar, infelizmente, é bem possível que sim.

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