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Edição 730
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INFO abandono

Relíquia? Património Industrial? Que coisa será aquela que não funciona à porta da delegação regional do Instituto Português da Juventude (IPJ) de Faro? Está ali há tanto tempo que já ninguém dá por ela. Tornou-se invisível. Não fosse o seu aspecto degradado, já faria parte da paisagem envolvente.
Edição 663 ( 3 Fev 2011), Sem Comentários »

Aquilo não caiu do céu. Não tem dignidade, mas tem uma biografia. No início dos anos 90 criou-se o programa INFOCID (sigla que abreviava o pomposo nome “Sistema Interdepartamental de Informação ao Cidadão”).

A ideia era ambiciosa e moderna.

Tinha por objectivo pôr o português comum a interagir com as novas tecnologias de informação, enquanto se informava sobre vários temas do funcionamento do país (Saúde, Finanças, Educação, etc).

Como disse na altura o primeiro-ministro António Guterres, estes quiosques electrónicos seriam uma “janela única da administração pública” ou “um espaço de importância transcendental para a administração pública portuguesa”.

Com entusiasmo (e com os fundos da Europa que então começavam generosamente a entrar pelo país adentro), instalaram-se dezenas destes equipamentos. Ainda hoje alguns apodrecem por aí, ao abandono. Atravancam ruas e passeios onde foram estrategicamente colocados para pôr o português comum a interagir com a informática (isto é, a tentar que aquilo funcionasse).

Segundo apurámos junto de fonte do IPJ de Faro (que preferiu ficar anónima), “não há planos para retirar” tal aparelho que “nunca funcionou lá muito bem”. Pois não.

Aliás, uma vez alguém ofereceu uma lagosta a quem encontrasse um posto INFOCID que funcionasse em condições. Consta que o bicho sobreviveu sem grandes problemas ao desafio.

Mas o curioso é que o trambolho em questão está literalmente pregado à estrutura de uma das portas de metal do IPJ de Faro. Quem instalou tal coisa fê-lo para que ficasse ali para sempre. Claro que se fosse uma máquina Multibanco, ou se valesse algum dinheiro, provavelmente já alguém o teria arrancado com uma retroescavadora roubada...

Nos dias de hoje, em que já não há dinheiro para projectos pioneiros para o cidadão e em que se cortam os abonos às famílias, também não é aconselhável retirar dali o mono. É que deixaria um grande buraco e provavelmente não haveria verba para o mandar tapar. É deixá-lo estar. À espera de melhores dias, como tudo o resto...

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