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Tiago Francisco, Golf Course Manager

A nova lenda da Amendoeira

Chama-se Tiago Francisco, tem 33 anos acabados de fazer e é um dos mais jovens directores de golfe de Portugal. Desde o início deste ano tem a seu cargo toda a gestão dos três campos do Amendoeira Golf, a mais nova aposta do Grupo Oceânico, entre Alcantarilha e Silves. Em entrevista, revela-nos que apesar da sua juventude e das contrariedades da economia, o Amendoeira tem resistido bem à crise e registou 36 500 voltas de golfe em 2009. Para este ano, prevê um crescimento na ordem dos 20 por cento, com 43 500 esperadas até ao final de 2010. Qual é o segredo do sucesso?
Bruno Filipe Pires, Edição 653 (18 Nov 2010), Sem Comentários »
Bruno Filipe Pires

Tiago Francisco começou a trabalhar no golfe logo depois de terminar o ensino secundário. Foi o início de uma paixão para a vida. Formou-se em gestão de empresas turísticas e hoteleiras de noite, enquanto trabalhava de dia neste desporto. Hoje é o responsável pelo Amendoeira Golfe, que ocupa três campos e uma equipa de 30 pessoas.

vivalgarve: Fale-nos um pouco dos campos que gere.

Tiago Francisco: Os campos que estou a gerir de momento são três - o Oceânico Faldo course, Oceânico O’Connor Jnr e o Oceânico Academy. Este último é um campo mais pequeno, de nove buracos, para o chamado pitch and putt, um jogo mais social que tem uma duração de uma hora.

É tipo uma miniatura dos outros campos, mas não é menos importante por isso. É uma nova ideia, pois não há muitos do género em Portugal. O que nos distingue é que apostamos muito na qualidade, sem medir por vezes, os esforços. Os greens e os tees têm que estar imaculados.

Começou a trabalhar no Amendoeira Golf em finais de 2008. Que tem acontecido desde então?

Quando começámos este projecto, foi também quando se deu a tal crise mundial. As nossas expectativas mudaram totalmente. De repente, tínhamos alguns dos nossos potenciais clientes em dificuldades, pois inicialmente isto tinha sido projectado para receber o mercado irlandês.

Por isso tivemos que minimizar os custos e maximizar todo este produto para o vender e expandir noutros mercados - o inglês que tem sido dos mais fortes, e agora, muito surpreendentemente, o alemão.

O mercado alemão está a crescer?

Sim. Não tem tantos problemas a nível financeiro como temos reparado nos mercados inglês e irlandês. Ou seja, ainda há algum poder de compra na Alemanha que nos surpreendeu, no meio desta crise. Falou-se tanto em novos mercados que iriam emergir, mas foi de facto o mercado alemão que aderiu melhor aos nossos campos da Amendoeira, com uma aceitação óptima. Aliás, os nossos colaboradores já estão a aprender o idioma.

Considera importante a formação dos recursos humanos?

Esse é um aspecto fundamental. Além disso, tentamos manter o nosso pessoal actualizado e interessado. Tentamos estimulá-los intelectualmente acerca daquilo que estão a fazer, dar-lhes um apoio e mostrar-lhes que eles são muito importantes. Posso dizer que talvez 100 por cento do nosso trabalho não seria possível sem um pessoal motivado, interessado, simpático, caloroso e capaz de falar com pessoas de diferentes nacionalidades.

Podemos ter os melhores campos de golfe do mundo, mas se o serviço não é bom, as pessoas vão embora com falta de alguma coisa. O golfista está à procura de quê? De um sonho. Nós estamos a proporcionar isso e se calhar até algo mais. Tentamos surpreender os nossos clientes e isso é também um conceito novo em Portugal.

Quando tempo, em média, um golfista passa convosco?

Um jogo no Oceânico Faldo Course ou no Oceânico O’Connor Jnr tem uma duração de quatro horas e 50 minutos. Depois, há a parte do lazer, o restaurante, os passeios, o campo de treino. Uma pessoa quando vem até cá, passa connosco praticamente o dia inteiro, entre seis a oito horas.

Que dizem os vossos clientes?

Lidar com clientes tem aspectos muito interessantes. Todos os dias aparecem-nos pessoas de todas as nacionalidades, da China, dos Estados Unidos, da Suécia, só para citar alguns exemplos. Cada cultura tem uma maneira diferente de agir. O nosso serviço é personalizado. Temos o cuidado de acompanhar o cliente desde o princípio ao final do jogo.

No final, temos o chamado customer feedback e estamos constantemente a avaliar o que os nossos clientes nos dizem. Estamos situados entre o valor quatro e cinco [valor máximo], isto é entre bom e muito bom. Estamos no bom caminho...

Há muitas reservas para os próximos meses?

A nível de golfe, o mercado é complexo. Existem os operadores turísticos, os hotéis, as agências de viagens. Cada vez mais os golfistas individuais tomam a iniciativa e procuram alternativas para pouparem. Cada vez mais as reservas são feitas on-line e de um dia para o outro. Num dia podemos ter 80 pessoas reservadas e no próprio dia receber 120.

Isto porque as pessoas esperam até ao último minuto para obterem o melhor preço, o que eles chamam “the best deal”. O nosso departamento comercial e de reservas, que é único para todos os campos do Grupo Oceânico, encaminha para cá muitos golfistas de Vilamoura, que é um mercado muito forte, de modo a termos uma ocupação um pouco melhor.

Existe um cliente-tipo?

O inglês é o típico golfista e representa 80 por cento dos nossos clientes. É engraçado porque o golfe já está a ser um desporto global. Até o próprio português é um dos clientes que mais aparece cá na Amendoeira.

O golfe do Algarve enfrenta concorrência de outros mercados, como o turco. Qual é a sua opinião?

Não quero falar mal, mas a Turquia também já começou a subir os preços e os comentários que oiço já não são tão bons como há um ano atrás. As pessoas gostam de ir para um país seguro, e o nosso Algarve ainda dá essa confiança. Fora da Europa há problemas de terrorismo e conflitos próximos e isso causa preocupações.

Os campos de golfe turcos podem ser bons, mas de que serve isso se as pessoas têm receio de deixar o hotel para sair à noite, por exemplo? O inglês, principalmente quer fugir disso. Quer beber a sua cerveja e passear tranquilo. Nesse aspecto, o povo português é imbatível na sua hospitalidade.

E no sul de Espanha?

Têm campos de golfe maravilhosos. É um mercado mais vasto, com muita oferta, que tem tido altos e baixos. Contudo, na hospitalidade continuo a achar que somos superiores. Nós estamos habituados a perceber as pessoas estrangeiras há muito mais tempo.

Quais são as suas expectativas para 2010/11?

Não estamos à espera de um ano fácil, basta ver o que se está a passar dentro do nosso país. Nós temos apenas 3 anos de idade, e já sobrevivemos a uma crise devastadora com resultados positivos. Sabemos que vai haver aumentos de impostos, mas não podemos baixar os braços agora.

Alguma novidade para o futuro próximo?

Estamos também muito vocacionados para o futebol profissional. O nosso resort tem um campo de futebol de 11, relvado, novinho em folha que está em muito boas condições. Já tivemos cá as equipas do Aston Villa e do Sunderland que gostaram bastante. É uma das apostas que temos para o futuro. Este é um resort exclusivo. Tem cerca de 250 habitações, e é possível ter aqui duas equipas simultaneamente, com a maior privacidade. Está prevista também a construção de um hotel, mas para já temos de ser realistas no que é que poderá vir a acontecer.

Há futuro para o golfe no Algarve?

Sem dúvida! Somos privilegiados pelo clima e pela qualidade dos nossos campos em geral. E estamos a chegar ao ponto ideal, pois não interessa ter muitos campos de golfe na região, interessa sim ter qualidade e diversidade, que é aquilo que os clientes procuram. Sabemos que os golfistas não querem só jogar nos nossos campos, querem experimentar outros diferentes.

Por isso, desejo que os nossos concorrentes sejam também bons. Sei que um jogador que está aqui hoje, amanhã vai ao campo de outra empresa. Se tiver uma má experiência em qualquer um, na próxima vez vai pensar duas vezes antes de vir para o Algarve. Portanto, estamos todos interligados e por isso temos que desenvolver uma atitude comum. É bom que sejamos todos bons, e claro é nossa intenção sermos os melhores.

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