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AECCP
Combustível para as empresas

Como nasce este projecto?
Eduardo Pegado: Este projecto nasce em Março de 2006. Nasce da intersecção de vários outros que fiz ao longo da minha vida profissional. Ou seja, da criação de vários agrupamentos complementares de empresas (ACE). Basicamente, o seu objectivo é contribuir para o desenvolvimento das empresas associadas, aumentando a sua competitividade. Por exemplo, através da negociação de melhores condições com instituições bancárias e fornecedores. Criei agrupamentos de supermercados, drogarias, clínicas e hotelaria. Este é o quinto projecto em que utilizo toda a experiência anterior. A diferença é que este pretende ser multi-sectorial. Qualquer empresa de qualquer dimensão, de qualquer sector pode aderir.
E porquê os combustíveis?
Na altura, houve grandes subidas nos preços. O Governo não conseguiu ou quis controlar os aumentos, que eram constantes. Então, considerámos a possibilidade de se constituir uma rede de reabastecimento privativo para empresas associadas. Depois de fazermos um estudo, precedido de contactos com as maiores empresas algarvias, contactámos todas as empresas fornecedoras em Portugal, para escolher a que trouxesse melhores mais-valias para o nosso objectivo.
Fundou o AECCP no Algarve, fora dos grandes centros de decisão da economia portuguesa. Isso não causou desconfiança aos potenciais interessados?
Penso que não. No princípio, as empresas tinham muitas dúvidas sobre os benefícios que pudessem vir a obter com este projecto. Não acreditavam, porque hoje em dia fala-se de muita coisa, fazem-se muitas propostas, mas depois, na realidade, poucas resultam. Algumas empresas aderiram para ver. Outros preferiam esperar. Andámos assim, neste compasso até ao momento em que contactámos algumas associações empresariais, que viram com bons olhos a nossa ideia. E acreditando no poder da união, entraram neste projecto. Assim, conseguimos alargar bastante o número de agrupados.
Actualmente o AECCP soma 7.000 empresas agrupadas. Quantas são
do Algarve?
Cerca de 30 por cento. No princípio, vimos grande interesse por parte das empresas da região. Mas, neste momento, muitas estão com problemas, fruto das dificuldades financeiras actuais e têm outras prioridades.
É fácil aderir à AECCP?
Basta preencher uma ficha de candidatura que será analisada. Caso seja aprovada, é preciso pagar uma única verba de admissão que custa 200 euros. Depois, não há quotas nem anuidades. Pode-se beneficiar sempre de todas as condições disponíveis para os nossos agrupados. Por exemplo, contratos vantajosos com operadores de telecomunicações. Repare, o nosso objectivo é ajudar as empresas a reduzirem custos operacionais. Isto não passa apenas pelo combustível, mas por uma série de outros consumíveis. Temos acordos com advogados, contabilistas, seguradoras, marcas e peças de automóveis, e até temos sistemas de controlo de viaturas para quem tem frotas. Ou seja, toda uma série de itens de custos, transversais a todo o tipo de empresas.
Qual é o ponto de situação da rede de postos de reabastecimento?
Há dois anos começámos a apresentar os primeiros projectos às autarquias. Neste momento já temos dois aprovados – em Santa Cruz, Ilha da Madeira e em Palmela que vão começar a ser instalados já em Setembro. Depois, e ainda neste ano, vamos ter em Ourique e em Leiria, localizado junto à EN1. Recentemente, o autarca do concelho da Batalha também demonstrou interesse em reunir connosco. Há ainda interesse por parte de um agrupado nosso, em ceder um terreno em Borba, no Alentejo.
E no Algarve?
Temos projectado um em Portimão, que está tacitamente aprovado. Outro, em Alcantarilha, sobre o qual falámos recentemente com a presidente da autarquia. Temos um terceiro previsto em Ferreiras, Albufeira, junto da EN 125. E outro em Loulé, junto à zona industrial. Por último, no concelho de Faro, junto à EN 125, em Vale da Venda. Há ainda um projecto para Lagoa, mas este está um pouco atrasado.
Quanto custa criar e manter um posto?
O nosso orçamento é de 250 mil euros por cada posto (obras e equipamentos) e um consumo de cerca de 40 mil litros por semana. Os terrenos são obtidos por sinergias estabelecidas com os proprietários (privados) ou autarquias.
Que combustíveis terão disponíveis?
Diesel e gasolina 95. No futuro, teremos também gás e ligações para os veículos eléctricos.
Como será feito o acesso aos postos?
Através de um cartão magnético personalizado. Os postos funcionarão em self-service. Alguns terão serviços de apoio que são de interesse para os agrupados, nomeadamente pneus, oficinas de mecânica e cafetaria.
Quando esperam ter os primeiros a funcionar?
Antes do final de 2010. Em média, um posto destes demora dois meses a ser instalado. Contamos abrir ainda em 2010, os de Santa Cruz (Madeira), Palmela e, no Algarve, o de Portimão.
Na prática, quanto é que um empresário pode poupar nos vossos postos?
Será sempre variável, uma vez que os preços nos combustíveis variam semanalmente, em função da oscilação de preços internacionais. Mas podemos calcular que ofereceremos uma vantagem entre os 6 e os 9 cêntimos por litro. Com a possibilidade de podermos, em qualquer altura, melhorar o preço.
Como financiam este projecto?
Constituímos com os agrupados que aceitaram a proposta, uma Sociedade Anónima (SA), que foi criada para se poder agilizar todo o projecto AECCP. As pessoas podem adquirir acções, ou investir directamente no projecto. Já temos tido contactos de investidores estrangeiros, que se mostraram muito interessados neste modelo de negócio.
Se a vossa oferta for mais vantajosa, muitas empresas poderão abandonar os esquemas actuais (cartões para frotas) para aderirem ao AECCP. É uma concorrência directa?
É verdade, isso já está a acontecer. Embora involuntariamente, estamos a entrar numa guerra. A nossa perspectiva e o nosso desejo é de sermos parceiros dos nossos fornecedores, embora incorrectamente sejamos vistos, por essas empresas, como concorrentes.
Isso significará dificuldades nos fornecimentos dos postos?
A lei da concorrência concede-nos o direito de sermos fornecidos quando desejarmos. Agora, os fornecedores podem é criar dificuldades diversas, por exemplo, exigindo pagamentos a pronto. Em última análise, se não pudermos ser fornecidos pela Petrogal, que é a única entidade fornecedora de combustíveis em Portugal, perante a recusa, poderemos ponderar comprar em Espanha. Na Madeira, temos o apoio do Governo Regional e temos a certeza que lá, se a Petrogal não nos quiser fornecer, o governo Regional obrigará ao cumprimento da Lei que é fornecer a quem se dispõe a comprar, desde que estejam reunidas as condições legais e não existam incumprimentos. Não duvidamos pois, que serão obrigados a dar-nos uma reposta, tal como foram forçados a baixar os preços dos combustíveis, no ano passado, por imposição do Governo Regional da Madeira.
Receberam algum apoio do Governo Português?
Não. Fizemos vários contactos mas nunca obtivemos resposta. Há dois vectores aqui, a ter em conta. O Governo Regional da Madeira está preocupado com o desenvolvimento das empresas do seu território. E o nosso, o do continente, já demonstrou por várias vezes que não! Tem demonstrado que quer é favorecer os grandes grupos empresariais.
Se o Governo Português pressionasse as empresas fornecedoras de combustíveis a dar respostas céleres e objectivas, o vosso projecto estaria mais adiantado?
Não temos dúvidas. O Governo diz que apoia o desenvolvimento de estratégias que visem beneficiar as empresas e os cidadãos. Na prática, não o faz porque só nos tem criado dificuldades.
Neste momento, que precisavam?
De duas coisas: um apoio de entidades governativas que nos poderiam direccionar para fundos ou incentivos para facilitar a nossa implementação, tal como tem apregoado mas que na realidade não chegam à grande maioria das empresas. Os bancos estão a fechar o crédito, por isso teremos que recorrer a fundos dos nossos agrupados para implementar esta estratégia competitiva. Por outro lado, estamos receptivos a novos investidores. Sabemos que o nosso projecto faz sentido e tem condições para proporcionar um retorno financeiro interessante, para qualquer investidor.
Uma última pergunta – ainda vale a pena apostar nos combustíveis fósseis?
Pensamos que esta dependência energética ainda vai durar muito tempo. Lembro-me de ouvir falar nas energias renováveis há mais de vinte atrás, mas acho que não conseguem singrar porque o poder das empresas petrolíferas é tão grande que aniquilam qualquer possibilidade de concorrência que apareça no mercado.








