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Rui André acredita na vitória

Monchique quer mudar?

Rui André, 34 anos é o jovem candidato do Partido Social Democrata (PSD) do Algarve para a Câmara Municipal de Monchique. Nas próximas eleições tem pela frente um confronto com o mais antigo edil em funções, Carlos Tuta, decano socialista há 27 anos no poder. A propósito do jantar de apoio que contou com a presença de Marcelo Rebelo de Sousa, na passada quinta-feira, 10 de Setembro, conversámos com o homem que segundo o deputado Mendes Bota “tem qualidade, tem formação, e tem disponibilidade para resolver os problemas dos habitantes de Monchique”.
Bruno Filipe Pires, Edição 593 (17 Set 2009), Sem Comentários »
Uwe Heitkamp
Marcelo Rebelo Sousa, Rui André, Mendes Bota

Se ganhar, qual será o seu primeiro acto na câmara?

O primeiro acto será ver a situação financeira e como está a funcionar em termos administrativos. Ouve-se falar em muita coisa, mesmo a nível nacional, de governantes que querem fazer reformas e querem mudar, mas contra as pessoas. Essa não é a minha intenção. Eu quero mudar, mas com as pessoas que estão a trabalhar. Não acho que estamos em tempo de radicalismos. Em Monchique falta fazer quase tudo.

Que motiva um jovem de 34 anos a candidatar-se e a envolver-se na política local?

É o que lhe digo, porque em Monchique falta fazer quase tudo. Mas isso também tem um lado interessante – este é um concelho que tem estado parado e por isso é um livro aberto para se implementarem políticas modernas.

As finanças da autarquia permitem isso?

Muitas pessoas só conseguem governar com muito dinheiro. Sou de famílias humildes, não nasci em berço de ouro e sempre aprendi a fazer muito com pouco dinheiro. Acho que se podem fazer coisas muito interessantes e muito criativas sem muito dinheiro. Claro que hoje é importantíssimo que uma autarquia tenha meios financeiros. Mas quase todas estão a passar por uma fase de muita contenção. Por isso, acho que é muito importante que um autarca hoje saiba gerir os recursos que tem em proveito da população. Em Monchique fala-se em obras megalómanas, mas o que a maioria da população precisa são de pequenas coisas. Se calhar é-lhes mais importante tapar os buracos que têm à porta de casa, do que fazer um grande empreendimento, uma grande obra. Acho que muito do que falta fazer em Monchique são coisas de sensibilidade social.

E o saneamento básico (esgotos)?

Moro a um quilómetro da vila e só este ano é que tive esgotos em minha casa.

Sabe que no bairro de São Roque, composto por 89 fogos, há um cano que despeja directamente para a ribeira?

Sim. Essa situação continua. É uma obra feita pela autarquia e cujo saneamento continua a céu aberto. Às vezes, há muito a tendência de certos autarcas, como o que temos actualmente, de chutar a bola para o canto (empurrar o problema). A solução que foi pensada para aqui, é uma solução para Portimão. Um dia vai-se fazer uma ETAR em Portimão e nessa altura os esgotos daqui serão ali tratados e caberá à empresa Águas do Algarve resolver esse problema. Mas acho que a autarquia também tem responsabilidades. É uma questão que me preocupa. Tem que haver melhorias a nível do ambiente. Não se pode falar em projectos turísticos, e depois mostrar a quem nos visita ribeiras poluídas.

E em relação às suiniculturas?

Bem, a suinicultura intensiva é uma situação que vai acabar Já há poucos produtores e penso que no futuro terão que evoluir para outro tipo de produção. Alguns já o fazem a montado (ao ar livre), muito associado à indústria dos enchidos.

O seu slogan é Monchique quer mudar. Acha mesmo?

Penso que sim. Depois de 27 anos, este é um concelho adiado. Porque apesar das potencialidades, não tem tido alguém à frente da autarquia com uma visão estratégica. Infelizmente, todos temos noção da riqueza do património rural, das tradições, dos usos e costumes. Temos aqui um diamante em bruto, mas nunca se soube tirar partido disso. Muitas pessoas confiaram durante muito tempo neste executivo e pela primeira vez, estão reunidas as condições para a mudança.

Quais são os pontos fortes do seu programa?

Bom, neste momento, estamos a falar com os munícipes. Não temos intenção de fazer um programa cheio de promessas, que depois ficam no papel. Queremos é resolver os problemas das pessoas. O que vai aparecer no nosso programa são compromissos. As pessoas estão fartas de promessas. A nossa principal preocupação é que haja uma estratégia a médio prazo. Queremos criar um gabinete de apoio ao empreendedorismo. Funcionará associado à marca «Monchique investe». Será principalmente uma alavanca para catapultar investimentos, o pequeno comércio local e atrair outros projectos. Acho que falta isso aqui. Repare, quem quer investir em qualquer concelho, não está disposto a passar por entraves burocráticos e complicações. Por isso, temos que criar condições para que Monchique seja atractivo para que quer aqui investir.

E depois, fica-se à espera que venham investidores?

Não, não é só ficar à espera. Nalguns casos, seremos nós a procurar investidores. É uma atitude mais pró-activa. É uma estrutura funcional, uma agência de desenvolvimento.

Contrariamente ao êxodo dos locais, Monchique tem atraído muitos cidadãos estrangeiros. É sua intenção prestar-lhes mais atenção, certo?

Vivem em Monchique cerca de 7000 pessoas, dessas perto de 1000 serão estrangeiros. Obviamente, qualquer autarca não pode ficar alheio a uma realidade destas. Se são pessoas que querem participar ou não na sociedade, não depende de nenhum governante. Mas criar condições para que sejam bem recebidos, sim. Repare, alguns são pessoas que escolheram vir para cá viver as suas vidas e por isso vai ser uma aposta nossa fazer com que saibam que são uma mais-valia para o conselho. Por exemplo, temos muitos artistas, muita gente ligada às artes plásticas. Porque não aproveitar e apoiar essa mais-valia?

Uma das críticas frequentes é que não existe vida cultural em Monchique. Qual é a sua visão?

Nunca houve, porque temos uma câmara que não funciona. Temos um presidente que é inactivo. Agora, acredito que Monchique pode ser um palco cultural muito importante. Por exemplo, fala-se muito na recuperação do Convento. Mas nós temos em Monchique um património riquíssimo. Isso é apenas uma pequena parte. Temos no Alferce uma parte de uma vigia árabe. Temos centenas de sítios arqueológicos, da idade do ferro e do paleolítico e ninguém sabe disso.

E em relação à protecção da floresta, que pensa fazer?

Isso é uma prioridade. Tive a preocupação de colocar na lista à vice-presidência o engenheiro Grade que é uma pessoa muito conhecedora da floresta. Acho fundamental que as pessoas saibam como se defender do fogo. Nunca foi feita uma campanha para que as pessoas saibam responder, que têm de limpar as casas e terrenos. A câmara pode também ajudar a limpar. E construir cisternas nas casas isoladas. Repara, quando há um incêndio, as pessoas são evacuadas. Se calhar, se tivessem água, poderiam participar activamente no combate às chamas e defender-se do fogo. Também defendo o uso da água da piscina em caso de emergência.

Se ganhasse as eleições, gostaria de ter Carlos Tuta como vereador da oposição?

Sim, mas tenho quase a certeza que ele não vai desempenhar essas funções se perder. Mas gostava de ter esse prazer, para que ele assistisse como uma autarquia pode funcionar em pleno. E para que visse como se gere uma autarquia no século XXI. Mas tenho a certeza que ele vai acompanhar, porque no futuro Monchique vai aparecer na comunicação social. Vai aparecer na opinião pública, e não da forma como até aqui tem acontecido – associado a casos lamentáveis. Até aqui, quando se fala em Monchique é normalmente associado a uma atitude menos correcta do seu actual presidente. No futuro, quero que Monchique seja falado enquanto conselho dinâmico, empreendedor, que atrai pessoas e investimento, onde é bom viver e onde há qualidade de vida.

É do conhecimento público que o autarca utiliza pessoalmente duas viaturas. Qual é a sua posição?

Como sabe, estou ligado ao apoio social e em certa altura propus que fosse criada em Monchique uma unidade móvel de saúde. Foi-me respondido que não havia viaturas disponíveis. Respondi que, uma vez que o senhor presidente tem duas, poderia ceder uma dela para este serviço. Foi-me recusado. Na verdade, as viaturas são da câmara e qualquer vereador ou funcionário pode utilizá-las em serviço.

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O candidato

Rui André, nasceu há 34 anos em Monchique, onde sempre residiu.

Academicamente, é licenciado em Educação Visual e Tecnológica, professor de profissão. Do seu currículo, constam a frequência na Pós-Graduação em Arqueologia e Património; um diploma em Design Gráfico e Comunicação; um curso de especialização em “Educação Artística”; um curso de especialização em Educação Especial e Terapia de Arte.

Frequentou um Master Internacional de Criatividade Aplicada Total e ainda uma série de Acções de Formação e Cursos de interesse pessoal, nas áreas do Património, da Arquitectura, Ambiente e Ordenamento do Território.

Num concelho envelhecido e empobrecido, serão muitos os desafios que o jovem candidato terá que enfrentar se vencer as eleições do próximo dia 11 de Outubro.

A acção social, a intervenção comunitária, a criação da marca «Monchique», a defesa dos produtos regionais, a recuperação do património histórico e cultural e a criação de uma agência de desenvolvimento pró-activa são os principais objectivos de Rui André. Defende uma política com ética e de proximidade com os cidadãos.

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