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Expo Energias Renováveis & Mobilidade Sustentável
Novas Energias para um mundo antigo

Um grupo de cidadãos interessados pela protecção ambiental, por carolice, com uma mão cheia de boas ideias ambientais desde 2006 começaram a organizar exposições de energias renováveis, veículos amigos do ambiente (de preferência de emissões zero), fornos solares e de ambiente em geral.
A ideia é responder à grande falta de informação sobre estas matérias sobretudo para os cidadãos, do ponto de vista prático. O conceito cresceu, com o interesse e apoio de pelo menos duas autarquias do Algarve, e hoje a região acolhe dois eventos por ano dedicados às energias renováveis.
Um de dimensão mais reduzida, tem lugar em Quarteira, onde se dá mais atenção ao ambiente, tecnologia solar e energias renováveis. O segundo acontece (em breve) em Monte Gordo. Aqui, o programa dedica mais atenção à mobilidade e aos veículos eléctricos. “É uma exposição interactiva, onde as pessoas podem experimentar veículos, saber o que há no mercado neste momento”, diz António Brito.
“Repare que existe imprensa e publicidade sobre tudo e mais alguma coisa em termos de automóveis poluentes, e nunca encontramos nada sobre veículos eléctricos. Continuamos presos à gasolina. O que nós queremos é uma verdadeira independência energética”, afirma.
“Hoje em dia, é perfeitamente possível ter um veículo eléctrico para as necessidades do dia a dia. Há estudos científicos que dizem que no mundo inteiro, 90 por cento das pessoas fazem viagens diárias em distâncias inferiores a 50 quilómetros.”
“As pessoas não sabem, mas há scooters eléctricas que vieram de Lisboa à concentração de Faro pelos seus próprios meios. Existe uma marca que fabrica uma verdadeira mota, dá 120 quilómetros por hora, e tem uma autonomia equivalente”.
“Por exemplo, uma scooter que custa apenas 1300 euros, gasta o equivalente a 40 cêntimos de energia por cada 100 quilómetros que percorre. É extraordinariamente barato, é cómodo, é amigo do ambiente, não faz ruído. Não precisa de óleos, nem de manutenção”, informa.
Ou seja, o evento em Monte Gordo não é apenas um conjunto de veículos experimentais, mas sim de ideias práticas para a vida do quotidiano.
As bicicletas eléctricas vão ser outra opção presente. “Não se distinguem das normais. Os motores são muito pequenos e as baterias pesam apenas dois quilos, mas é o suficiente para viajar cerca de 60 quilómetros sem pedalar. Se o fizer, consegue dar a volta ao Algarve sem problemas! Há vários modelos, desde todo-o-terreno, até de passeios. Custam à volta de mil euros, têm o quadro em alumínio, amortecedores e travões de disco”, diz.
Quem sonha em nunca mais gastar dinheiro em gasolina, ainda poderá ter que esperar. Embora os carros eléctricos não sejam exactamente uma novidade, e já comece a haver propostas muito interessantes no mercado.
“Existem veículos eléctricos desde 1865. A partir de 1900 havia muito mais automóveis eléctricos a circular no mundo inteiro que automóveis a combustão. Pareciam charretes e existiam muitas marcas”, conta
“O que aconteceu é que tornou-se muito mais fácil criar uma rede internacional de postos de combustíveis líquidos do que propriamente electrificar as casas. Aqui em Portugal, a electrificação foi tardia, e só nos finais dos anos 70 começou a chegar a todo o país.”
Para já, os veículos eléctricos à venda em Portugal, têm uma autonomia máxima que não chega aos 100 quilómetros. Uma solução pode ser o projecto conjunto da Nissan/Renault, em que as pessoas trocam as baterias pelo caminho até chegarem ao destino.
“Um veículo eléctrico tem apenas um terço das peças que compõem um automóvel convencional”, mas esta tecnologia ainda não vingou no mercado, sobretudo devido a erros de marketing e à força dos lobbies do petróleo.
“Em países como a França, o Citroën Saxo, era entregue sem baterias. As pessoas tinham que pagar o aluguer das baterias, o que era bastante caro. Por isso, só os correios e os municípios é que adquiriram estes veículos. Para além de que nunca foi feita nenhuma publicidade, nem divulgação”, considera.
Brito considera que o Governo tem dado “passos sérios” para incentivar este sector. “No caso português, qualquer carro eléctrico, novo ou usado, que seja importado para Portugal paga zero de imposto”, diz.
O evento pretende também mostrar outras utilizações e possibilidades para estas energias. Hoje, é possível para quase qualquer pessoa interessada produzir energia para consumo próprio e até para venda.
A publicação do decreto-lei n.º 363/2007 veio a simplificar o processo conhecido por “Microprodução”. Simplesmente é a produção de energia feita pelo próprio consumidor, utilizando equipamentos de pequena escala, nomeadamente painéis solares, turbinas eólicas ou outro tipo de tecnologia.
Por exemplo, “com cerca de 20 mil euros, as pessoas podem ter um sistema em que produzem energia eléctrica e vendem à rede, podendo ganhar cerca de 300 euros por mês.. Basta ter 25 a 30 metros de telhado numa casa virada a sul. Existe um limite legal para a venda, mas é o suficiente para garantir o máximo de dividendos”, considera.
“Por exemplo, há um grande prédio em Faro, com 130 apartamentos, cujos condóminos pagavam mensalmente uma conta choruda de electricidade devido aos quatros elevadores. O que acontece é que todos os proprietários se entenderam e vão comprar um sistema parecido. Simplesmente, vão deixar de pagar mais a conta da electricidade”.
Falar de energias verdes não é um assunto que interessa a toda a gente. No passado recente, um pouco por todo o país, a instalação das primeiras gerações de painéis solares foi feita por técnicos incompetentes e sistemas de qualidade duvidosa. “Denegriu claramente a imagem do solar térmico em Portugal.”
Hoje há no mercado mais de 400 empresas a trabalhar que oferecem todo o tipo de soluções solares. A maioria dos equipamentos tem 7 a 10 anos de garantia e mais de 20 de vida útil.
Com as horas de sol que o Algarve goza durante os 365 dias de ano, “hoje já não há razão para se instalarem esquentadores a gás em casa”, para além dos benefícios fiscais e apoios à aquisição que o Governo tem em vigor.
Recentemente, Teixeira dos Santos, o ministro da Economia anunciou apoios para instalação de painéis solares em instituições de solidariedade social e as associações desportivas, num investimento de 50 milhões de euros.
“As pessoas são todas mais economistas, que ecologistas. Quando custa mais dois cêntimos ser ecologista, as pessoas perdem logo o interesse pelo planeta. Felizmente, hoje há diversos factores que se conjugam para que a economia e ecologia andem a par e passo”, conclui.
Refira-se que no Algarve, já existem várias empresas a tirar partido das energias renováveis. Desde um barco solar a fazer passeios na ria de Alvor, a uma empresa que aluga «seg-ways» na baixa de Faro, há vários exemplos de como podem ser rentáveis e sustentáveis. Há também uma empresa de táxis com bicicletas eléctricas e recentemente, Silves adquiriu um carro eléctrico para a limpeza urbana.
Segundo um levantamento da Organização das Nações Unidas, em 2005 ocorreram 360 desastres naturais, dos quais 259 directamente relacionados com o aquecimento global. O aumento foi de 20 por cento em relação ao ano anterior.








