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Portimão Global Ocean Race
Quebrar o mastro não é o fim do mundo

Algarve123: Antes de mais, felicito-vos. Estão neste momento a velejar algures a norte dos Açores, ao alto da Ilha das Flores. Se os ventos forem favoráveis, em breve deverão chegar a Portimão. Já tinham pensado antes na hipótese de virem a ser os vencedores?
Felix Oehme: Não planeámos nada dessa forma. Nós já conheciamos os outros participantes. Os chilenos foram-nos apresentados como os favoritos. Porém, depois da primeira etapa, na Cidade do Cabo, ficou claro que também nós estariamos ao mesmo nível.
Algarve123: Imaginemos que o mastro de um dos vossos adversários se partia e que vocês estavam bastante perto. O que faziam, iam ajudá-los ou seguiam caminho com o vosso veleiro?
Felix Oehme: Tivemos um caso parecido no Oceano Índico. Os concorrentes holandeses tiveram um rasgo na quilha do Hayai. O chumbo do barco estava apenas preso por um parafuso e o barco ameaçava afundar. Então, o navegador belga decidiu mudar o rumo do seu veleiro Roaring Forty para Ir ajudá-lo. Quebrar um mastro não é o fim do mundo. Uma coisa é certa: se alguém necessitar de ajudar e pedir por ela, será certamente ajudado.
Algarve123: Quando pensam nos oito meses passados no mar, o que vos vem imediatamente à memória e qual é a experiência que vai ficar para contarem um dia aos vossos filhos?
Boris Herrmann: O momento em que avistámos a terra depois de semanas em pleno Pacífico e depois estarmos a atravessar o Cabo das Hornas no dia seguinte. Mas também a história de como nós estávamos isolados a velejar neste Oceano e depois, devido aos ventos fracos, a milhares de milhas, já tinhamos todos os outros participantes a pouca distância. Aí, ficaram todos a conversar uns com os outros. Isso foi o máximo.
Algarve123: Falemos agora da natureza e do mar. As águas por onde velejaram eram limpas ou estavam poluídas?
Felix Oehme: O sul do Pacífico é extremamente limpo. Mas quanto mais nos aproximávamos do Brasil, mais garrafas víamos no Atlântico sul.
Algarve123: Há dez dias que estão em pleno Atlântico norte. Podem dizer-me se as condições de navegação na corrente do Golfo sofreram mudanças devido às alterações climáticas?
Felix Oehme: Bem, das regatas anteriores já conhecemos o nevoeiro e o clima extremamente frio da corrente do Labrador.
Na corrente do Golfo, observámos com admiração as temperaturas quentes, a água quente e a formação de pequenas nuvens de chuva. Porém, falta-nos bases de comparação para falarmos das alterações no clima.
Algarve123: Quando surgem divergências de opinião a bordo, como fazem para resolver o conflito estando confinados a um pequeno espaço?
Felix Oehme: Tomemos como exemplo a escolha das velas. Se tivermos opiniões diferentes nesse ponto, deixamos a decisão para mais tarde. Depois voltamos a consultar-nos mais tarde e meia hora depois chegamos a um consenso.
... Isso requer grande disciplina, mas também camaradagem...
...Claro, sobretudo quando nos temos que levantar a meio da noite para nos sentarmos ao leme. É a única forma…
Algarve123: Como cozinham? O que comem? Existe algo de que realmente sentem falta?
Felix Oehme: Temos um fogão a gás a bordo com uma boca. Geralmente cozinhamos massa, mas também arroz e uma vez por dia muesli. Indispensável é uma peça de fruta por dia. Ah, e uma caneca de cerveja é algo que realmente desejamos à chegada!
Algarve123: Velejar implica estar em harmonia, em silêncio e em perfeita sincronia com a natureza. Fazem ideia de como manterão esse ideal em terra? Sabe-se que aqui é tudo mais barulhento, rápido, caótico...
Felix Oehme: A correr, mas também a surfar. Talvez só se consegue atingir a verdadeira harmonia na água. Como é o tempo em Portimão?
Algarve123: Subtropical, húmido, sufocante, quase sem vento nenhum ou trovoada.
Felix Oehme: Esperemos que isso mude, pois não queremos ficar fora de Sagres e cinco dias à espera para chegar a Portimão...
Algarve123: Muito obrigado pela entrevista de hoje. E que se “quebrem os maestros e as velas“ a ambos. Encontramo-nos à chegada à marina com uma cerveja bem fresquinha!!!







