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Escola Alemã do Algarve

Aprender para a vida

Em Portugal existem três escolas alemãs: uma em Lisboa, outra no Porto e mais uma no Algarve. Christa Liebig, é professora tutora e directora da Escola Alemã do Algarve há 12 anos. A escola está situada em Silves. Foi construída de acordo com todas as regras arquitectónicas e financiada por dois milhões de euros de um mecenas da cultura. Há três anos que este estabelecimento de ensino oferece uma alternativa educativa a 125 estudantes de várias nacionalidades. Pela primeira vez, este ano iniciam-se as preparações para os exames do 12º ano. No passado Sábado, o Algarve123 esteve na festa de Primavera da escola e falou com alunos, professores, pais e a direcção.
Uwe Heitkamp, 26 Mar 2009 01:00, Sem Comentários »
Uwe Heitkamp

Vivalgarve: Senhora Liebig, você era boa aluna?

Christa Liebig: Eu era inteligente e não tinha de me aplicar muito. Mas teria tido melhores notas se não fosse tão preguiçosa… (risos)

É o suficiente para se vingar na vida?

Às vezes. Na altura tentei logo entrar para a universidade, pois ainda não havia limites de acesso. Porém, fiz primeiro uma formação prática pois queria saber o que era a vida activa.

Qual foi a sua média nos exames, e quais eram as disciplinas que não podia ver pela frente?

Eu era muito boa a Ciências da Natureza. A Matemática, Física e Química tinha nota máxima. O meu problema era com as línguas. Era péssima aluna a Francês. Mas também era preguiçosa.

Os alunos que frequentam a escola alemã são mais inteligentes que os das escolas portuguesas?

Não. Não se pode dizer isso. Em todas as escolas do mundo há alunos bons e alunos menos bons. Existem alunos aplicados e outros menos. E há alunos que não precisam estudar muito, pois sabem as coisas, fazem as tarefas e são simplesmente muito bons. Depois há os alunos aplicados, que eu prezo, porque se esforçam e obtém bons resultados. Há estudantes assim no mundo inteiro e em todas as escolas.

E em que difere o ensino nas escolas alemãs do das escolas portuguesas?

A grande diferença está nos pequenos grupos de estudo. Cada turma tem até 15 alunos. Se forem mais, dividimos os grupos. Assim temos a possibilidade de trabalhar de uma maneira completamente diferente. Nós temos muito menos o método das aulas presenciais das escolas portuguesas com as suas turmas grandes. Temos também aulas de grupo e círculos de trabalho, para promover a autonomia das nossas crianças.

Aqui na biblioteca não se vêem muitos livros. Mas porquê?

Por motivos de dinheiro. Estamos bastante dependentes dos donativos. Acabámos de receber um, mas ainda temos uma lacuna em termos de livros técnicos, obras de referência e clássicos. Alguns dos livros que os docentes usam, estão na sala de professores porque são necessários para as aulas. Ainda temos falta de livros. Não sobra muito dinheiro.

Têm também uma sala de computadores. É uma alternativa à biblioteca? Também se “descarrega” educação do computador?

Dificilmente. Creio que são precisas as duas coisas. Vivemos na era do computador, em que a informática desempenha um papel importante. Mas sou da opinião que os alunos não devem esquecer a relação com a literatura. A biblioteca tem que estar ao mesmo nível da informática.

Quantos professores dão aulas nesta escola e de que nacionalidades são?

A maioria é alemã, porque nós trabalhamos de acordo com os planos curriculares alemães estipulados para as escolas estrangeiras na Península Ibérica.

De momento temos três professores portugueses a tempo inteiro, num total de doze docentes. Depois temos também os professores que trabalham a tempo parcial.

Os seus professores também são pagos para trabalhar nos meses do Verão?

Os professores que têm contratos de trabalho a tempo inteiro também recebem os seus vencimentos nas férias. Eu sou a favor da continuidade a bem dos alunos.

O desporto também é bastante bom para o corpo, pois reduz o excesso de peso causado pelos maus hábitos alimentares.

As aulas de desporto que ofereço, não são apenas pela questão alimentar. Temos muito poucos doces na nossa cafetaria. Há antes fruta, iogurte e 1 refeição diária. O desporto para mim é muito importante. Tentamos oferecer o máximo possível de prática desportiva. Até temos uma equipa de futebol. Já temos espaço para um campo, cujo projecto já está aprovado. Falta apenas o dinheiro. Estamos a trabalhar nesse sentido em colaboração com os pais e patrocinadores.

Como é a sua relação com a tutela da educação? Satisfaz todos os requisitos do Ministério?

Não temos problemas. A relação é muito cooperativa. São-nos muito favoráveis. Existem as partes exteriores à escola. Por isso temos que cumprir com todos os requisitos. Senão não poderíamos trabalhar. Todos os conteúdos educativos são definidos pelo comité educativo alemão para as escolas no estrangeiro. É o responsável por tudo, incluindo pelas transições de ano e os critérios de avaliação.

Quem verifica se cumprem todos os requisitos?

Depois do estudo de Pisa, cujos resultados não foram tão bem sucedidos na Alemanha, passaram a realizar-se inspecções às escolas alemãs no estrangeiro. Há dois anos fomos inspeccionados.

De surpresa?

Podem vir sem anunciar, mas na primeira vez avisam sempre.

Como é que os alunos alemães convivem com os portugueses?

Nós somos, em primeiro lugar, uma escola de encontro. Todas as crianças, a partir da primeira classe aprendem duas línguas: Português e Alemão. Temos muitas crianças com pais de duas nacionalidades: portugueses e alemães, mas também holandeses e suíços. E há cada vez mais pais portugueses. Aceitamos crianças de todas as nacionalidades. O nosso modelo chama-se PAM (Português como língua materna) e PAF (Português como língua estrangeira). Quem quer estudar tem que dominar a sua língua materna. Damos também grande peso às disciplinas da Física, Química, Matemática, Artes e Música, bem como ao Inglês a partir do terceiro ano e ao Francês a partir do sexto ano.

Obrigado pela entrevista.

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