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Possível fecho de urgências causa alarme social

Agora, os algarvios preparam-se para mais uma loucura do centralismo lisboeta: um relatório produzido no passado dia 10 de Fevereiro por um conjunto de peritos sobre a Rede Nacional de Emergência e Urgência – recomenda o fecho dos Serviços de Urgência Básicos de Lagos e de Loulé. E também a retirada do helicóptero de evacuação médica do INEM (estacionado no heliporto de Loulé).
De uma assentada, todos os progressos que o Algarve fez ao longo dos últimos 20 anos e que o colocam no século XXI, estão em risco.
É um regresso à idade das trevas, em que uma simples perna partida ou um acidente rodoviário em Sagres ou Aljezur pode acabar em amputação, horas e horas depois algures num serviço de urgências central atafulhado de feridos para cortar custos ao Governo. Aliás, tal como acontecia com demasiada frequência antes das maravilhas da “integração” na UE e do fluxo de dinheiro que veio para modernizar o país.
Como é que tudo isto se encaixa na imagem do Algarve enquanto destino turístico competitivo?
Colocámos a questão a José Mendes Bota, deputado do PSD eleito pelo círculo de Faro, cujo discurso é frequentemente dissonante do próprio partido, nas políticas decididas em Lisboa para o Algarve.
Em declarações ao nosso jornal, admitiu que está quase “no limite” das suas capacidades de trabalho e não consegue aceitar mais projectos, por muito que se justifiquem.
Referindo-se ao relatório que tem causado “alarme social” na região, considera: “no caso do Algarve, existe uma realidade que o poder central persiste em ignorar: os nossos utentes, não são apenas os residentes recenseados pelo INE. São muitos mais. São milhões de turistas que por aqui passam, e que também sofrem acidentes, adoecem, e às vezes morrem. E temos um interior que não pode continuar a ser desertificado, com o Estado a dar o exemplo.”
A recomendação de encerrar as urgências de Lagos e Loulé – deixando milhares de residentes sem alternativas viáveis a terem que fazer centenas de quilómetros – baseiam-se em “critérios técnicos”, explicou-nos Bota. “Os técnicos regem-se por critérios técnicos, contam os quilómetros, medem tempos de percurso, comparam ratios dos sistemas de Saúde entre países. Os políticos têm que contar com outros critérios. Não há dois países iguais, duas regiões iguais, dois municípios iguais”, considera. Bota desafiou o ministro da saúde, Paulo Macedo a fazer uma viagem pelas aldeias do interior da Serra do Caldeirão e ver se é possível, a partir daí, chegar ao Hospital de Faro em menos de uma hora (o tempo máximo estipulado no relatório para o acesso ao serviço de urgências”.
A questão é, “queremos melhorar, ou queremos piorar as condições de acessibilidade aos serviços de saúde, por parte da população?”, questionou.
“O Algarve já está martirizado que chegue. Não nos martirizem mais, que a paciência também se acaba! Aos técnicos o que é dos técnicos. Aos políticos o que é da política. Que cada qual cumpra o seu papel com competência.”
As preocupações de Bota em relação a este assunto já foram entregues ao Governo e aguardam resposta. Prevendo que em Agosto o país fecha para férias, não deveremos contar com resultados para breve.
Mas, nas entrelinhas das questões de Mendes Bota, saltam ainda mais perguntas: será que os políticos realmente ainda têm algum poder de decisão face à troika? Ou decidiram simplesmente alinhar com tudo o que os técnicos contabilistas sugerem?








