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Edição 730
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Sören Ernst

Fé na família global

Há mais de 25 anos atrás, quando era apenas um aprendiz de escultor, Sören Ernst costumava ser mandado várias vezes para uma cave, no final de um longo dia a lascar pedra, para engessar moldes de barro para a fundição dos bronzes. Era um trabalho que detestava. Mas olhando em retrospectiva, hoje está grato pela perícia que foi forçado a aperfeiçoar. Depois de vários anos em que “literalmente esculpi toneladas de pedra” a produzir esculturas que hoje estão em colecções privadas e em exposições de arte pública espalhadas pelo mundo, Sören Ernst começou a explorar novos materiais. O objectivo, como sempre, é fazer uma afirmação. A actual crise e a necessidade colectiva de nos manifestarmos são as ideias por detrás do projecto que está a desenvolver este inverno. É também algo em que as pessoas do Algarve podem participar (caso se atrevam).
Natasha Donn, Edição 714 ( 2 Fev 2012), Sem Comentários »

Pode falar um pouco sobre o seu novo projecto?

Sören Ernst: Tudo começou há 10 anos atrás. Essencialmente é sobre o colectivo, e sobre como fazemos todos parte de uma família global. Sabe, é que apesar de ter uma grande fé nos seres humanos, não consigo ver as coisas a melhorar num futuro breve. Mas não somos dinossauros. Temos de sair disto juntos. Nenhum país sairá da crise por si só – teremos de ser todos nós, unidos! O meu plano original era criar um globo com as faces dos amigos e da família, mas preciso de pelo menos 100 caras para fazer uma peça com um metro cúbico. Estou a pensar que – e para ser adequado ao tema – têm de ser pessoas de diferentes grupos étnicos. O Algarve é a casa de muitas culturas diferentes, portanto estou com esperança de encontrar boas faces enquanto aqui estou. Africanas e asiáticas, em particular.

Mas não está à espera de ver uma fila de gente interessada…Claro que não! Como acabou de descobrir, não é um processo muito confortável. Tenho de plastificar literalmente as caras das pessoas, pelo menos durante 20 minutos. Durante esse tempo, têm de ficar imóveis, não podem abrir os olhos, falar, nem fazer nada. Gosto de pensar que as pessoas encaram isto como uma espécie de meditação – embora saiba que não é algo que a maioria gostasse de fazer. No final, acho que apenas quem tiver interesse e vontade de participar, possa querer associar-se de alguma forma a este projecto. Nem que seja através de donativos, fundos ou outro tipo de apoio.

Todas a caras, pelo que o processo implica, têm os olhos fechados, certo?

Sim. E de certa forma, isso acrescenta-se à mensagem. Parece que as pessoas estão a dormir, e se pensarmos bem, todos temos estado a dormir. Temos de acordar e enfrentar a realidade, antes que seja demasiado tarde! Precisamos de mudar a forma como vivemos, as nossas atitudes. Temos de rever as nossas prioridades, e certificarmo-nos que são as correctas.

Para além das faces, que mais precisa?

A ideia é encaixá-las todas juntas. Inicialmente, vou trabalhar com ligas e moldes de gesso. Todo o processo irá ser incrivelmente complexo porque as faces são muito diferentes entre si. Têm características e tamanhos, é incrível como cada vez que moldamos as caras das pessoas, todas elas divergem na estrutura. Mas uma vez que esteja construída em gesso, terá então de ser feita em bronze. Isto será muito caro, e ainda nem sequer me comecei a preocupar em como angariar fundos. O primeiro passo é arranjar todas as caras…

Está a trabalhar em mais alguma coisa?

Nos últimos três anos, muita coisa tem acontecido, quer a nível pessoal, quer em conjunto com a minha parceira, a escultora Steff Bauer. Temos tido uma sorte incrível com o nosso trabalho. Tenho um projecto a decorrer num jardim zoológico alemão, e comecei a trabalhar com a artista de azulejos Brigitte Baumann, aqui no Algarve. Estamos a produzir obras de arte tridimensionais, usando várias técnicas (incluindo o gesso). Esperamos desenvolver um número de outros projectos juntos.

http://www.steffart.de

http://www.rosenstern.eu

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