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Pedro Seromenho
A salvar as Palmeiras do Algarve

Esta peste é imparável?
Pedro Seromenho: Claro que não! As árvores podem ficar livres do bicho por pouco dinheiro. O truque é tratá-las regularmente – mas é também por isso que as pessoas começam a perder um entusiasmo. Muita gente pensa que a prevenção sai cara. Mas a verdade é que a alternativa pode ser bastante pior, e muito mais triste. As palmeiras mortas ficam com um aspecto terrível. Para quem aluga propriedades, ou tem um negócio, certamente que é um cenário que não atrai clientes. E a remoção dos troncos é dispendiosa.
Quão dispendiosa?
Isso dependerá do tamanho da própria árvore, mas posso dizer que pode custar várias centenas de euros, desde o corte, ao descarte adequado.
Existe alguma lei que obrigue os proprietários a tratarem as suas árvores, ou a cortarem as que morrem entretanto?
O problema é exactamente esse. Não existe legislação. Se houvesse um quadro legal desse tipo, a doença nunca se teria espalhado desta forma. De momento, os municípios são simplesmente encorajados a sensibilizar as pessoas para o perigo de não tratarem as árvores, nem de as descartarem devidamente – mas apenas isto não tem sido, de facto, muito eficaz. Se uma árvore morta é um perigo público – as ramagens podem causar estragos incríveis na integridade física de pessoas e bens – há que chamar as autoridades e apresentar queixa, para que estas possam obrigar o dono da árvore doente a tomar medidas. Mas, como poderá imaginar, isto é um processo muito lento e não evita em nada a propagação do escaravelho, que continua livre como se já fizesse parte da vida selvagem autóctone.
Então qual é a resposta?
É tratar as árvores. A prevenção custa cerca de €20 por mês, dependendo do tamanho da palmeira. Nas mais jovens, o custo é ainda menor. Mesmo assim, se as pessoas não quiserem fazer um profilaxia preventiva, existe a opção de tratar as árvores doentes. É incrível ver como muitas conseguem recuperar a saúde perfeita.
É apenas uma questão de químicos, ou as palmeiras doentes precisam de cirurgia?
Químicos, ou então a abordagem biológica com nemátodes fitoparasíticos, não vai curar, por si só, uma árvore doente. É preciso chegar aonde está o problema e literalmente desenterrá-lo cá para fora. É uma parte que gosto de fazer! Dá-me muita satisfação extrair todas as larvas e escaravelhos! O barulho que fazem e o cheiro são horrendos, mas não há nada melhor que salvar a vida de uma árvore. É um sentimento fantástico! E tenho clientes que adoram as suas palmeiras. Por exemplo, uma senhora, perto de Lagos, chamou-me para ver o seu “bebé”, referindo-se à sua árvore. Ia sendo quase tarde demais.
Esse é o problema desta peste – muitas vezes as pessoas não percebem que a árvore está infectada até ser quase demasiado tarde para a salvar. De qualquer forma, essa planta precisou de uma cirurgia radical. Estava na dúvida que viesse a recuperar, mas uma semana depois da operação, vi pequenos ramais verdinhos a crescerem de entre o material morto. A dona disse-me que sentia que a palmeira iria sobreviver. E sobreviveu!
Ainda está com um aspecto um pouco esquisito, mas está definitivamente bem viva! E é isso que importa: tentar salvar estas lindas árvores. O argumento que não são indígenas do Algarve e portanto, são dispensáveis não me parece razoável. Hoje, as palmeiras também se tornaram um símbolo da região e fazem muitas propriedades mais bonitas. Uma quinta antiga com uma palmeira centenária é impressionante. Uma quinta antiga com uma palmeira centenária morta é uma desgraça.
0351 919 756 370 | http://www.savealgarvepalms.com







