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Edição 730
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Chris Plumb

Euro: Atenção aos números de série!

Enquanto a crise na eurozona atravessa um período em que tudo se decide ou falha, falámos com um corretor financeiro que acredita que um regresso às moedas nacionais é a única resposta possível. Chris Plumb, 56 anos, trabalhou nos mercados do dinheiro durante 24 anos. Tem seguido atentamente os eventos na Europa e defende que “se Portugal continuar pressionado pelos dedos da Alemanha”, a austeridade vai arrastar-se miseravelmente por mais uma década. “Não haverá crescimento”, e eventualmente a nação vai deixar de existir enquanto poder soberano. E há mais - à medida que a Grécia parece estar cada vez mais à beira de abandonar o euro, seja lá o que acontecer esta semana em Bruxelas, Plumb acredita que as notas de euro impressas pelos gregos já estão a ser vetadas pelos comerciantes alemães…
Natasha Donn, Edição 707 ( 8 Dez 2011), 1 Comentário »

Pode explicar melhor o que nos está a dizer? As notas de Euro não fazem todas parte de uma mesma moeda?

Chris Plumb - Sim, é suposto fazerem. Tem razão. Mas a confiança na moeda é apenas o princípio do declínio. Muitos comerciantes na Alemanha já não aceitam notas de cunho «Y», já que estas foram impressas na Grécia. O «Y» refere-se ao número de série no canto superior direito das notas. Isto é mesmo o que se irá passar. Quantos mais problemas o país tiver, mais pessoas irão recusar receber as notas bancárias impressas por esse país em particular.

Onde são visíveis as letras que identificam o país de origem?

Bem, isso está ampla e livremente difundido na Internet, graças à Wikileaks. Mas para já, só temos que nos preocupar com as notas «Y» - especialmente porque é quase certo que a Grécia deixará o Euro em 2012. O que estou a dizer é que se estiver a vender o seu carro, e alguém quiser comprá-lo em dinheiro vivo, na mão, deverá examiná-lo bem antes de aceitar. Se vir uma série de notas «Y», a melhor coisa a fazer é insistir que a pessoa as troque por notas «X». Estas, são as que foram impressas na Alemanha.

Então, e que devem fazer aquelas pessoas que guardam dinheiro em casa?

Portugal é um país onde se esconde dinheiro debaixo do colchão…

Bem, isso é mesmo uma má ideia. As pessoas podem estar a guardar dinheiro que de nada valerá daqui a alguns meses…

Porque pensa que um regresso às velhas moedas nacionais é a única resposta?

Porque as nações estão a perder o poder de decidir aquilo que lhes é mais vantajoso. Pense nisto: quando é que foi a última vez que ouviu falar nalgum dos outros 15 estados membros? Tudo o que se ouve são as palavras de Merkel e Sarkozy! Temos de pensar no tipo de futuro que as pessoas querem em Portugal. Será que querem que as suas crianças tenham sonhos e projectos – ou querem mais 10 anos de austeridade, com zero planos para o crescimento económico? O Governo acaba de dar um tiro no pé a si próprio, aumentando o IVA nos restaurantes e no golfe, e autorizando as portagens na Via do Infante. Isto significa que o turismo durante o ano inteiro vai ser uma realidade do passado. As pessoas vão levar os seus negócios para outro lado. Se Portugal continuar a ser mandado desta forma, simplesmente, não sobreviverá. Então, um dia acordamos e seremos parte dos Estados Unidos da Europa!

Mas os rumores vindos de Bruxelas sugerem um acordo à vista para resolver esta crise…

As notícias mudam constantemente. De qualquer forma, em última análise, não serão os políticos a decidir. Serão os mercados e os investidores mundiais, os países da OPEP, e muitos fundos de cobertura: eles é que irão decidir colectivamente, se o que os políticos vão ou não apresentar nas próximas semanas, é fiável ou não.

Porque é que ninguém previu que isto ia acontecer?

Foi previsto! Detesto ter que o dizer, mas foi precisamente por isso que a Grã-Bretanha nunca aceitou entrar no Euro! Os ingleses queriam mais detalhes sobre como o novo sistema funcionaria em tempos de crise, claramente para não terem que aceitar perdas de soberania sobre a sua moeda e o ajuste das taxas de juro. Mas os países europeus estavam tão empenhados em introduzir o novo sistema que ninguém realmente se questionou ou se preocupou com possíveis falhas. E agora, toda a gente terá que pagar bem caro por essa falta de visão.

Comentários
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No thats wrong
roneypinto, Albufeira, 12 Dezembro 2011 12:57