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Programa «Da Vinci»

Promover Monchique

Ainda é considerado um cantinho intocado pelo turismo algarvio, mas Monchique também tem os seus problemas. Há a ameaça de novas explorações mineiras a céu aberto nos montes a sul - e de facto, de acordo com os coordenadores turísticos, o marketing é “bastante incoerente e descoordenado”. Há quem acredite que Monchique precisa de uma “nova energia” – que poderá ter chegado há poucos meses graças ao programa europeu de mobilidade «Leonardo da Vinci». Catorze voluntários, de idades entre os 18 e os 45 anos, mudaram-se para o concelho. A maioria nunca tinha ouvido falar de Monchique antes. O grupo inclui designers, ilustradores, carpinteiros, dinamizadores sociais e licenciados. Falámos com três dos participantes neste projecto - Julia Harriman, Nicola Dillon e Fee Schmidt-Soltau. Na altura desta entrevista, completavam a sexta de um total de treze semanas de trabalho.
Natasha Donn, Edição 705 (24 Nov 2011), Sem Comentários »

Na vossa perspectiva, quais são os problemas de Monchique?

Julia Harriman: Os turistas não conseguem descobri-lo. Existe um website municipal – mas está todo e unicamente em português. Há um posto de turismo – mas só lá tem coisas sobre o Algarve, e não sobre Monchique.

Os turistas chegam aqui em autocarros vindos de Portimão, vagueiam pelas ruas e aborrecem-se passado pouco tempo. No entanto, há tantas coisas a acontecer aqui! Então, decidimos que o que precisávamos mesmo era de construir recursos para os turistas, para que possam apreciar uma experiência alternativa aqui. Idealmente, se conseguíssemos encorajar as pessoas para ficarem em Monchique durante uma semana, seria uma grande ajuda para as empresas e a economia local.

Mas treze semanas não chegam para grandes mudanças. Que fizeram até agora?

Julia Harriman: Tem razão. Idealmente, este projecto deveria ter sido mais longo, e então poderíamos realmente fazer algumas mudanças. Mas considerando o tempo tão limitado que temos, chegámos à conclusão que o melhor que poderíamos fazer seria um mapa para mostrar às pessoas todos os sítios onde podem comer, dormir ou praticar actividades amigas do ambiente.

O mapa será dado a todos os negócios locais, para que o possam passar aos visitantes. Haverá também uma versão digital (pdf) a disponibilizar no website que esperamos conseguir montar. Vamos lançar o mapa durante uma semana, num estúdio aberto, por cima no cibercafé no centro. Será uma forma de mostrar tudo o que temos feito para ajudar a promover o turismo sustentável. Faz parte daquilo que chamamos “o posto de turismo alternativo”, e esperamos que toda a comunidade se junte a nós e se envolva neste projecto.

Praticamente nenhum de vocês conhecia Monchique. Esta estadia influenciou-vos de alguma forma?

Nicola Dillon: Tem sido realmente uma experiência transformativa. Antes de ter cá vindo, estava ocupada a gerir a minha própria empresa de design em Londres. Agora, devo dizer que apanhei o gosto pelas viagens. Estou à procura de projectos em que possa participar, talvez o próximo seja em África…

Julia Harriman: Este lugar mudou-nos a todos. Muitos de nós vimo-nos facilmente a regressar aqui, se esse fosse o trabalho. Eu própria, gostaria muito. É um cantinho desconhecido muito especial.

Fee Schmidt-Soltau: Trabalhar com negócios locais, conceber planos de marketing, mapas de caminhadas ou ajudar com o plano de negócios – ajudou-me a perceber que tipo de design quero fazer futuramente.

Se tivessem tido mais tempo, que outras coisas fariam?

Julia Harriman: O que tínhamos inicialmente planeado era um festival para juntar todas as empresas locais envolvidas no ecoturismo. Isso teria sido o ideal, mas simplesmente, não houve tempo.

E como é que as pessoas locais vos aceitaram?

Julia Harriman: Muito bem, mesmo. Penso que há o sentimento geral que muito dinheiro foi gasto neste projecto que poderia ter tido um uso mais construtivo – e é por isso que tomámos a responsabilidade de o levar muito a sério. Queremos dar algo em retorno para este local, e criar algo positivo para toda a comunidade. Ainda temos esperança de trabalhar com produtores locais e ajudá-los a embalarem os seus produtos de forma mais atractiva.

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