PortuguêsEnglishDeutsch
Edição 730
2012-05-24 > 2012-05-30
Tel.: 282 418 881
Recuperar SenhaRegistarClassificados GratuitosArtigosTema da SemanaReportagemEntrevistaActualidadeOpiniãoRestaurantesO AlgarveDirectórioAjuda
InícioArtigosEntrevistaJill Gallard

Embaixadora do Reino Unido em Portugal

Jill Gallard

Poliglota, com experiência de trabalho nas questões europeias, mãe de dois filhos e oriunda da Irlanda do Norte, Jill Gallard é a nova embaixadora do Reino Unido em Portugal. É a segunda mulher a ser nomeada para este cargo no nosso país, e diz estar “ansiosa para continuar a desenvolver a profunda relação entre os dois países – que são a mais antiga aliança no mundo”. A diplomata também quer “promover uma parceria de proximidade, quer nas relações bilaterais no contexto político e comercial, quer no âmbito multilateral exterior, como a UE, as Nações Unidas e a NATO. Os nossos povos e negócios ajudam a manter estes laços vivos em todos os aspectos da vida nestes dois países”. Colocámos algumas questões à nova embaixadora.
Natasha Donn, Edição 703 (10 Nov 2011), Sem Comentários »

Acredita que a zona euro pode continuar a existir na sua forma actual, dada a profundidade e a extensão da actual crise económica e financeira?

O governo britânico tem acompanhado de perto a situação dentro da Zona Euro. Estamos conscientes que a prosperidade do Reino Unido está intimamente ligada ao sucesso da Zona Euro. É que 40 por cento do nosso comércio é com os países da Zona Euro, e aproximadamente 60 por cento é com países europeus. Portanto, o que acontece tem impacto quer nos 10 países que estão fora do Euro, como nos 17 que têm esta moeda.

Como é que vê Portugal nos próximos anos?

Tal como o Reino Unido, Portugal está actualmente focado na consolidação das suas contas públicas, em modernizar a economia e em aumentar o crescimento e a competitividade. Pensamos que isto é importante para ambos os países poderem garantir a prosperidade no futuro. Por outro lado, Portugal continua a ser um parceiro importante para o Reino Unido, não apenas dentro da UE, mas também bilateralmente, e dentro da NATO e das Nações Unidas.

Os governos de coligação em ambos os países partilham uma abordagem pragmática na necessidade da UE se concentrar em encontrar soluções para os problemas que os nossos cidadãos enfrentam. Isso significa melhor crescimento e a criação de mais empregos.

Portugal continua a ser um dos destinos preferidos dos turistas britânicos, e tivemos um volume bilateral de negócios na ordem dos 2.5 biliões de euros no ano passado. Em 2010, Portugal foi o 28º maior mercado para a exportação de bens e o 11º maior na UE.

Durante o meu mandato em Portugal, estou determinada a continuar a expandir a cooperação bilateral em todos os níveis, em particular, na criação de mais oportunidades para parcerias de negócios entre empresas britânicas e portuguesas. Penso que há um grande potencial para partilhar conhecimentos entre os nossos dois países.

Não acha que o Orçamento de Estado para 2012 do governo português vai um pouco longe demais?

Estamos impressionados com a determinação do governo português em enfrentar a crise do seu défice orçamental e também nas causas principais do desequilíbrio fiscal de Portugal.

O processo de consolidação fiscal requere medidas de austeridade difíceis e não será fácil. Contudo, é importante que ambos os nossos países olhem para a crise actual como uma oportunidade de fazer reformas no sector público e de avançar com uma agenda para o crescimento económico e a reabilitação do mercado de trabalho.

Tem havido um aumento da imigração portuguesa para o Reino Unido?

O número de cidadãos portugueses em mudança para o Reino Unido, têm-se mantido estável ao longo dos últimos quatro anos, embora nos primeiros meses de 2011 tenha havido um ligeiro aumento. De acordo com o « Department of Work and Pensions» cerca de 12 000 portugueses vão viver para o Reino Unido anualmente desde 2007. Estimam-se em 4520 nos primeiros quatros meses deste ano.

Encontrou algumas dificuldades de género, já que a diplomacia é sobretudo um domínio masculino?

Nunca tive qualquer dificuldade por ser uma diplomata. A embaixada britânica em Lisboa tem mais colaboradores femininos que masculinos. E o «Foreign & Commonwealth Office» dedica muito tempo a tentar recrutar (e treinar) mais pessoal feminino.

Consegue adormecer as suas crianças e ler-lhes histórias ao deitar? Como é ser mãe e diplomata?

Penso que todos os pais e mães, independentemente de trabalharem e do tipo de trabalho que têm, fazem o possível para conseguirem passar tanto tempo com os filhos quanto gostariam. Tenho a sorte de poder ler aos meus filhos uma história ao deitar (na verdade, mais do que uma, pois são um público exigente) na maioria das noites.

E tem tempo para apreciar Portugal?

Sim. É muito importante para os diplomatas não passarem todo o seu tempo apenas na cidade capital. Portugal tem muito para oferecer – o clima, a comida, o vinho, a cultura, as paisagens. Estou determinada em ver o máximo que conseguir durante os meus quatro anos de serviço aqui.

Artigos Relacionados
Cônsul britânico no Algarve
Natasha Donn, Edição 696 (22 Set 2011), Sem Comentários »
Comentários
Faça login ou registe-se para poder fazer um comentário.Sem comentários. Seja o primeiro a fazer um.