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Artaviva!
Coragem e criatividade em Lagos

Em termos de localização, a vossa é muito boa, não é?
Nina Bradley: Tivemos ajuda da recessão! É que antes de se ter instalado, e dos negócios começarem todos a fechar, as rendas eram proibitivas em Lagos. Teríamos precisado de uma cooperativa de pelo menos 10 pessoas para alugar um espaço como este – e mesmo assim, estamos a ser incrivelmente corajosas.
Temos de sobreviver ao inverno – são quatro ou cinco meses durante os quais não sabemos se vamos fazer dinheiro sequer para pagar a renda. Mas da maneira que perspectivamos as coisas, vamos mesmo subir o tom do centro. Lagos precisa de uma loja como esta.
Não há mais nenhuma – lojas que vendem itens de artesanato feitos por artesãos locais. Até recentemente, esta cidade costumava apoiar os seus artistas. Costumávamos ter o Mercado de Escravos e o Armazém Regimental para fazer exposições ao longo do ano. Já não estão disponíveis. Sentimos que estava na altura de fazer algo por nós próprias.
Então, deve haver mais artistas e artesãos locais que também precisam de um espaço onde possam mostrar os seus trabalhos?
Nina Bradley: Sim, sem dúvida! Neste momento, estamos a negociar com algumas pessoas que fazem coisas em madeira, para ver se querem estar a bordo connosco. Idealmente, precisamos de uma cooperativa de cinco – assim, podemos continuar com o nosso trabalho criativo e também, partilhar as despesas de forma mais fácil.
A gestão da loja atrapalha a vossa criatividade?
Sandie Croft: Bem, esperamos que não muito. A ideia é mais termos um estúdio de artesanato, que uma loja. Quem estiver de serviço, terá que ser capaz de acabar o trabalho que tiver na mesa. Pessoalmente, não consigo fazer sabonetes na loja, mas sou capaz de embalar e misturar cremes. Ou então, praticar canções que ainda estou a aprender (no dueto Saraband, com o marido).
Nina Bradley: Eu consigo fazer as minhas missangas…
Gaia Lina: E eu consigo fazer os meus cachecóis ou trabalhar com feltro – material que também faz parte do meu trabalho criativo. Para mim, de certa forma, esta é a minha última oportunidade.
Cheguei a um ponto em que, honestamente, não sei se vou conseguir ficar em Portugal por muito mais tempo. Tentei arranjar um trabalho através do Centro de Emprego, mandaram-me para uma lavandaria dobrar toalhas… e depois despediram-me por ser estrangeira! Já tentei fazer jardinagem e cozinhar num resort – e pensei para mim própria – será que quero mesmo fazer isto? Não, os cachecóis são tudo!
Nina Bradley: Somos todas muito apaixonadas pelo que fazemos. Tenho sido uma profissional da joalharia nos últimos 30 anos. Não saberia fazer outra coisa…
O Natal está (infelizmente) mesmo a chegar. Acham que o vosso negócio tem o necessário para atrair clientes?
Gaia Lina: É o sítio perfeito para uma prenda original! Tudo aqui é feito com boa energia, podemos garantir isso. Acho que é um motivo para as pessoas cá virem comprar os seus presentes.
Sandie Croft: E os preços são pequeninos, a partir de €3,50…







