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Edição 730
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Joyce Craveiro, da sex shop «Love More», Lagos

Sexo, especiarias e DVD’s

Quando o mercado imobiliário caiu para mínimos, Joyce Craveiro, 37 anos, designer de interiores, perguntou a si própria – “E agora? Que mais me interessa?”. A resposta foi “erótica”, não num sentido vulgar, mas sim o topo-de-gama do mercado dos brinquedos sexuais. Foi assim que nasceu a loja «Love Me More». Não é uma sex shop, dirá Craveiro, mas sim “uma boutique erótica”. Uma “jóia escondida” no centro da comercialmente empobrecida Lagos, que tem para oferecer “algo muito diferente”. A jornalista que escreveu esta entrevista também fez umas descobertas interessantes. Por exemplo, o termo “male self-management” – à partida poderia significar homem capaz de sobreviver em casa na ausência da mulher, mas na realidade, a expressão aplica-se a quem tem uma vagina artificial ao dispor…
Natasha Donn, Edição 701 (27 Out 2011), Sem Comentários »

Que nos pode dizer mais sobre os seus produtos?

Bem, aqui está um exemplo que as senhoras gostam muito. Chama-se “Creme Dragão” e é baseado numa lenda japonesa, sobre uma época em que as mulheres ficavam sozinhas durante longos períodos de tempo, enquanto os seus homens iam para guerra. Quando o homem regressava a casa, a mulher preparava-lhe um creme, que basicamente, transformava-lhe o pénis num dragão. Assim, os homens ficavam aptos a possuírem as mulheres durante toda a noite. As senhoras compram isto e regressam para buscar mais.

Mas não é barato, a €32,80 a bisnaga…

Pois não. Realmente, não vendo coisas baratas – sobretudo no que toca a brinquedos para penetração feminina. Claro que há muito material mais barato disponível no mercado, mas são feitos de materiais tóxicos, e podem potencialmente causar muitos problemas de saúde. Neste campo, a lei não protege as mulheres e é por isso que temos de ser exigentes.

De facto, tem uma selecção impressionante de vibradores...

São quase todos fabricados com silicone utilizado na medicina, e portanto, perfeitamente seguros. O mais caro, que traz baterias recarregáveis, custa €145. Se tiver um homem com um destes na mão, pode apreciar a penetração com sexo oral – que é algo que não dá para fazer ao mesmo tempo, a não ser com um homem incrivelmente flexível.

Quão flexível?

Teria que ser um mestre de ioga. O homem normal não consegue fazer isso.

Acha que as pessoas do barlavento algarvio estão preparadas para isto?

Esta loja não é para toda a gente. Mas o bom sexo mantém as pessoas juntas. Pode-se usar o sexo para muitas coisas, e tudo o resto pode girar à volta disso. Essa é uma das razões pelas quais eu escolhi este negócio. É uma forma de ajudar as pessoas a investirem nas suas relações.

À medida que elas atravessam a crise, isto oferece uma forma de salvaguardarem as suas relações. Pense nisto - sabemos que 50 por cento dos casamentos acabam em divórcio, qual é a percentagem de pessoas que ficam juntas, mas desejam que não estivessem? Se soubéssemos isso, certamente estaríamos a falar em números gigantescos.

Então, não acredita no amor para sempre?

Algumas pessoas talvez acreditem, mas não me aconteceu.

Acredita no amor sem sexo?

Acredito no sexo sem amor, mas não no amor sem sexo. Se você não faz sexo e se não tiver dinheiro, será que as pessoas ainda ficarão juntas? Não sei…

A sua loja disponibiliza mais brinquedos sexuais, lubrificantes ou lingerie?

Isso e muito mais. Tenho livros fantásticos, estimulantes herbais, e organizo aquilo a que chamo encontros “tuppersex” aqui no pátio – muito informais. Não demoram muito. As pessoas pagam entre €5 a €8, vêm beber um copo e conhecer gente solteira.

É uma espécie de rampa de lançamento para outras coisas. Também participo em eventos, como a “ladies night” que teve lugar no restaurante West, na marina, no passado fim-de-semana – no qual três ou quatro empresários promoveram os seus produtos, dirigidos a um público feminino. Também comecei a vender pornografia feminista, com muita classe e bom gosto, tal como tudo o resto na loja.

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