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Paulo Figueiras, gestor do Zoo de Lagos

Monkey Business!

Há onze anos atrás, Paulo Figueiras, 47 anos, fundou o Zoo de Lagos num terreno rural de três hectares às portas do Barão de São João. Desde então, milhares de pessoas têm-se apaixonado pelo parque – e muitos regressam para o visitar. O zoo parece uma pequena amostra do paraíso, cheio de folhagem tropical onde várias espécies (algumas protegidas e em risco de extinção) vivem e procriam. Há macacos a saltar de árvore em árvore nas ilhas do lago central, e aves aninhadas em espaçosas gaiolas. De facto, este local tem feito maravilhas ao turismo local. Contudo, ao longo dos anos, os seus pedidos de apoio financeiro têm sido teimosa e sistematicamente negados. Para cúmulo, uma verba atribuída ao abrigo de um protocolo foi cancelada – e agora Figueiras tem que devolver todo o dinheiro, a prestações, todos os anos daqui para a frente.
Natasha Donn, Edição 698 ( 6 Out 2011), Sem Comentários »

Como se sente por nunca ter recebido qualquer apoio financeiro para o Zoo?

De certa forma, as pessoas estão sempre à espera que alguém as ajude – e isso é o principal problema desta crise. A maneira como vejo as coisas, o único sítio onde se encontra a palavra “sucesso” antes de (muito e duro) “trabalho” é no dicionário! Nós aqui estamos a crescer com o dinheiro que as pessoas pagam na bilheteira – e no fundo, o que é importante, é que continuamos a crescer.

Mas precisamos mesmo de jardins zoológicos? Muita gente acha que é cruel manter os animais em cativeiro…

Num mundo perfeito, não seriam necessários, claro. Mas não vivemos num mundo perfeito. Vivemos num mundo que enlouqueceu completamente. Os habitats naturais estão a ser destruídos. Os animais estão a ser conduzidos à extinção. E portanto, os zoos – aqueles que são mesmo bons – nestes dias são como que paraísos. São locais onde os animais e a sua cadeia genética podem ser preservados. Em alguns casos, animais que já estão extintos no exterior, podem ser criados nos zoos e lançados de novo na natureza, se as condições assim o permitirem. Hoje, a esperança média de vida para um orangotango selvagem, por exemplo, ronda os 10 anos porque são vítimas de todo o tipo de problemas. Num zoo, podem viver alegremente por mais de 40 anos…

Há novas atracções no zoo de Lagos?

Sim, temos raposas voadoras e crocodilos anões. Temos os hipopótamos e o Lucas – um novo chimpanzé macho que se vem juntar às nossas fêmeas. Também temos uma ideia para manter as coisas em movimento. Estamos a oferecer um bilhete especial que custa €30 e é válido durante um ano inteiro. É uma forma fácil e barata para que as pessoas possam dar-se ao luxo de voltarem quantas vezes desejarem.

Muitos dos vossos visitantes regressam. Sabe porquê?

Por uma mistura de razões. Primeiro que tudo, porque gostam do local. Eu não acredito em apresentar “espectáculo”, isso parece-me muito artificial. Em vez disso, o que fazemos é orquestrar momentos. Por exemplo, temos a hora do gelado para os macacos-capuchinhos. Fazemos-lhe gelados de fruta fresca e gelo, e porque eles são muito parecidos com os seres humanos no seu comportamento, é muito divertido vê-los a comerem os gelados. De certa forma, é muito mais engraçado do que qualquer coisa encenada – porque cada animal tem a sua personalidade, a sua própria forma de tirar a fruta e apreciá-la.

Nunca se cansa de gerir tudo isto, já que o zoo está mesmo ao lado do restaurante rural «O Cangalho»?

Alguma coisa tem estado sob pressão, pois tive um ataque cardíaco no princípio deste mês. No hospital perguntaram-me se tenho tido muito stress e respondi – não, vivo num paraíso e adoro o que faço! No final, acho que foi tudo porque andei a fumar bastante e a beber café forte o dia inteiro. Agora, estou a tentar mudar de hábitos…

Quantos dias esteve afastado do trabalho?

Eles internaram-me três dias, portanto foram três dias…

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